Caos

9 setembro, 2009


Entrando no terceiro dia de terror em Salvador, até agora o governo diz que não precisa da segurança nacional (veja aqui), enquanto isso, hoje tem jogo da seleção e a cidade cheia de imprensa, nacional e internacional, dai eu me pergunto, a facção que se intitula Comissão de Paz e promove o caos vai ficar quieta?

Desde o dia 7 ja foram 7 ônibus incendiados, com e sem gente dentro, 6 módulos policiais atacados e alguns incendiados, além de vários pontos de troca de tiros entre polícia e ladrão, iniciados pelo ladrão por incrível que pareça. (notícia completa aqui)

Bom, juntando o transito quase caótico com essa violência no stop repentina e o S no inicio da cidade, to até pensando em mudar o nome do blog para “Perdido em São Paulo” ou “F$#!#@ em Salvador”.

Resumindo: Nesse verão, vá para o Recife, Fortaleza, João Pessoa ou até pro Rio de Janeiro.

Perdido em Salvador, direto do Bunker improvisado.

Cansaço.

24 julho, 2008


Todos os dias, no mesmo horário de sempre (durante as duas horas de engarrafamento de sempre), entra o velho baleiro de sempre, um senhor de 60 anos, com um óculos no final do nariz, com cara de revoltado, que sempre usa como abordagem para vender suas balas de menta sua carteira de trabalho, e explica que trabalhava com construções, e que ficou velho, e o mandaram embora pois a idade não o deixava trabalhar com a mesma velocidade de antes e sim com vários riscos, e diz ele que aquela foi a unica forma que encontrou para sustentar sua familia, só que hoje, ele fez diferente, subiu ao ônibus com cara de cansado, de quem tá pra passar mal, e com uma voz cansada ele diz: “Bom dia! Todos aqui ja me conhecem (levantou e balançou a sua velha carteira de trabalho), venho aqui pedir que alguém compre ao menos uma balinha, que custa 10 centavos, pois até agora não consegui vender nada, e nem café da manhã tomei, ja não estou me sentindo bem e só peço que comprem ao menos bala uma pelo amor de Deus.”

E isso não era a nova estratégia de venda dele, realmente dava pra ver na cara que ele não estava bem, não era aquela pessoa indignada com a vida por não conseguir mais emprego, e sim um senhor cansado e com fome, apelando para conseguir ao menos tomar um café da manhã! (ver isso dói na alma.)

Ao passar do tempo agente acostuma a ver esse povo sorrindo, e se esquece da verdadeira face do sofrimento, não a dissimulada que vários usam para ganhar dinheiro sem fazer nada e explorar a boa vontade dos pobres samaritanos, e sim a espontânea, e isso é capaz de chocar e nos fazer parar e refletir, que um dia, ficaremos velhos, e se não cuidarmos do agora para garantir o amanhã, podemos nos tornar o vendedor de bala revoltado com o sistema que tristemente tá pra passar fome.