Eu já defendi aqui que baiano não é preguiçoso, mas tem alguns que quebram minha defesa.

Esta semana, fui ao banco com um amigo, final de expediente, banco quase deserto, todos os 15 caixas automáticos disponíveis, ali, carentes, quase implorando para serem usados, já que no horário comercial aquilo é um inferno, eis que dos 15 caixas, um era para deficiente físico, aquele que é mais embaixo, pra quem ta de cadeira de rodas usar, dai me vem um cidadão, andando perfeitamente, com uma cara de folgado, ele puxa uma cadeira que estava na agencia, e simplesmente senta na frente do caixa especial, agora, pra que?, pra tirar um mero saldo, nem dinheiro o cidadão tirou, pena que eu tava sem bateria no celular… daria uma bela foto.


Pedi a duas pessoas que enviasse cada uma um post para ser publicado aqui no Perdido em Salvador, uma de Brasília e a outra de Salvador, quando ambas perguntam o prazo, tendo eu respondido: “pode ser pra hoje” , tenho as seguintes respostas:
A resposta baiana:
“Pô véi, pode ser amanhã não? Sabe como é ne, todo baiano tem preguiça…rs”
A resposta da brasiliense:
“Putz! Posso deixar pra amanhã? To cheia de trabalho aqui, e também é que eu to numa ressaca maldita, fui pra uma festa ontem…”

Enfim, ficou tudo pra amanhã, (de qualquer forma eu não ia publicar hoje mesmo pois ia revisar antes),

A baiana e sua eterna ressaca…

Abrasiliense e sua eterna ressaca…

Tudo se resume em ressaca.

O mundo ta invertendo… ou como dizem aqui, “se batendo”.

Bom, amanhã, post especial quase confirmado! (se a ressaca deixar… é claro)

Se você também é um(a) perdido(a), mande sua contribuição pra ca, pelo e-mail: blogperdidoemsalvador@gmail.com


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”