Perdido Responde #3

1 abril, 2009


Salve meus caros visitantes! Bom, depois de uma semana perdido, encontrei um ponto de conexão, enfim, não arrumei desculpa para o meu sumisso, acontece, principalmente em Salvador…

Vamos a mais PR:
Comentário recebido de Rubia:

“Ola…

Também estou pretendendo me mudar para salvador… (sou de SP) e gostaria de saber quais bairros são bons para se morar sozinha ai, assim como, valor de aliguel, condominio, media de custos fixos…

MuitO Obrigada

Fico no aguardo de sua resposta”

 Perdido responde: 

 Olá minha cara paulista!

Olhe só minha linda,  Salvador é uma cidade “barata” comparada a outros centros metropolitanos desse nosso Brasil, então digamos, que com R$350 por mês você ja paga alimentação e luz, a média da tarifa elétrica é a mesma praticamente em todo país (mais ou menos R$0,56 p/kwh), se você vai pagar condominio não precisa se preocupar com os custos da água, agora o preço do aluguel e do condominio, depende muito do bairro e do prédio que você vai morar, o aluguel vai desde R$200 até R$3.500, e o condomínio vai de R$30 até R$2.000, mas digamos que seria um bairro nobre, o Itaigara ou a Pituba por exemplo, perto da praia, ou literalmente na orla, ambos os bairros possuem um ótimo comércio, facilidades, bancos, transporte rápido, e são extremamente bem localizados, lá, você encontra uma média de aluguel para apartamento 1 quarto por R$400, e o condomínio varia entre R$200 à R$600, os gastos com diversão são a melhor parte de se viver em Salvador, pois é tudo muito barato, então, eu tenho como base, que com R$1.800/mês, uma pessoa vive muito bem em Salvador.

Se quizer mais informações, é só comentar!

Bom galera, prometo que até sexta tem mais 2 posts falando sobre a cidade aqui.

Aproveitando pra responder o comentário do nosso amigo gaucho que está vindo para Salvador:
“Bah! Mas tú quer saber o que de Salvador, dai” 

Alguém ai sabe onde vende “tempo” em Salvador?

Hospitalidade tem preço.

11 agosto, 2008


Quem disse que a hospitalidade dos baianos é degraça?
Acostumado com os preços de Brasília, ao sentar em uma barraca de praia em Salvador, pedir uma cerveja e pagar somente R$1,80 por ela “não tem preço”, é quando você pensa: “essa vista maravilhosa e a cerveja a metade do preço dos botecos de Brasília vai me deixar bêbado, eu quero ficar bêbado”, mas isso só aconteceu comigo pois não fui eu quem pedi a cerveja, e sim meu padrasto, um nativo com sotaque e cara de Sotéropolitano, logo não aguentei e comentei com ele o valor tão “simbolico” pago pela cerveja, e ele disse nun tom de sarcasmo: “amanhã vamo pa outra praia e cê pede a cerveja, eu quero é prova de que vai ser esse preço” . Dito e feito.

No dia seguinte, fomos a outra praia, não muito longe da que fomos na tarde anterior, chegamos, e eu abri a boca:

– Boa tarde! Tem Skin?
(ela assinala com a cabeça)
– Quanto custa?
– R$3,50.
– Pô! Na praia ali do lado é R$1,80!
– Oxi! To sabenu disso não senhô, na minha barraca sempre foi esse preço e nunca ouvi recramação.
(meu padrasto interrompe.)
– Colé mãe! Ta me achando com cara de turista é? Ó paí! Ta querênu me robá é? Se fizé até R$2,00 eu pago, se não agente levanta.

Ela vira as costas e vai buscar a cerveja. Incrível! Se eu estivesse sozinho ia pagar o preço de uma Bohemia em Brasília, só pelo meu sotaque de turista e minha cara perdido.

Depois disso fui testanto em outros lugares, a cocada que custa de R$0,50 a R$1,00, pra mim era oferecida a R$2,00, o acarajé de R$2,00 pra mim era R$5,00, até a Coca-cola ficou absurdamente cara pelo meu sotaque.

Agora pagar barato tem outro preço, depois da primeira, a segunda vai demorar anos pra chegar, a ponto de você ter de levantar e ir buscar, ou então reze pra não haver nenhum turista na mesma barraca que você, o atendimento dele é preferencial, o seu não faz a minima diferença pra eles.

E lá estava eu, roubado perdido em Salvador…


Lembram do encontro que não aconteceu devido a agilidade do transporte publico? Pois bem, isso ainda me rendeu mais alguns cabelos brancos e um dia de raiva.

Depois de conversas e mais conversas duas semanas de ladainhas com a B. (a mulher que eu havia falado), ela pareceu ter acreditado que eu realmente fiquei “preso” naquele ônibus e que não dei um bolo de propósito e sim acidental, re-marcamos no mesmo maldito lugar, só que em um domingo, onde a proposta que ela fazia, era irmos a um churrasco e depois “inventarmos alguma coisa” (vocês sabem bem o que eu tava pensando em inventar ne), marcamos as 11 horas, dessa vez eu ja tava traumatizado, então fui de carro, cheguei com mais de meia hora de antecedência, e ao badalar das 11 horas, liguei pra ela para explicar o ponto exato que eu estava, roupa, etc…

“12 horas e nada! Meu deus do céu! Cadê essa mulher?”, pensava eu, ja sem reação com tanta puta derrubada garota de programa que habita todo o Centro Histórico me oferecendo sexo e drogas, praticamente uma mais derrubada que a outra a cada 5 minutos (ter cara de turista é uma droga, garota de programa na bahia não pode ver um turista que parece um tarado num concurso pornô.), e eis a hora que eu me fodo me ferro, começo a ligar pra ela, e advinham? Ninguém atende! Tanto do meu celular, quanto de todos os 12 orelhões e do Voip da Lan House de lá.

“Putz! Maravilha de troco! Mal cheguei e ja to apanhando! Será que eu nunca vou tomar vergonha na cara e parar de acreditar em perdão?”

E assim fui eu, puto da vida, ainda por burrice esperar mais uma hora, e ligar, ligar, ligar e ligar, até o dedo doer, e enfim tomo vergonha na cara e me lembro que ainda existia amor próprio e fui embora.

Mas ao chegar em casa, advinham quem estava no msn?

Continua…


Após uma semana de correrias em Brasília, para arrumar a casa antes de dar adeus às minhas manias locais, finalmente retornei para Salvador em definitivo, e como uma regra, deixando de ser turista, comecei a sofrer automaticamente os problemas da cidade, de primeira peguei um engarrafamento ao sair do aeroporto por nenhum motivo aparente, e sofri mais ainda por estabelecer a meta de ficar no máximo 3 meses encostado hospedado na casa da minha mãe, eu tinha que aprender com urgência a andar sozinho em Salvador.

Mas pra quem estava acostumado com uma cidade plana, onde as placas de transito não mentem (saibam que em Salvador a 45km de Itapuã tem uma placa sinalizando o caminho junto ao nome de outro bairro que fica a 2km), onde um ônibus para um destino vai pegar a via mais rápida para o mesmo e que o povo simplesmente sente prazer em dar informação errada (é, candangos em sua maioria são mal educados, ja o povo baiano é 100% prestativo, salvo na hora do almoço e na hora de “batê o baba” *¹), não seria nada fácil se virar nessa cidade gigantesca, onde uma ladeira errada te leva a boca mais quente da cidade ao lugar mais distante do mundo, onde você não tem ponto de referencia norte-sul, e principalmente, quando você tem trauma de pedir informações. Mas independente disso, eu teria que dar um jeito.

Aproveitando que a um ano eu conversava com uma mulher de Salvador, achei perfeita a oportunidade de conhece-la pessoalmente e unir ao util de sair sozinho, sem meu guia turístico padrasto e assim começar a me virar e talvez fechar com chave de ouro minha dor de cotovelo que me levou a Salvador.

Marcamos de nos encontrar no Centro Histórico as 14 horas, de carro com o motorista meu padrasto, o trajeto levava 44 minutos sem engarrafamento, como eu ia de ônibus, achei que em 1:30h daria tempo de sobra, então sai de casa com 2 horas de antecedência, na minha cabeça havia tempo para perder 2 ônibus e ainda parar pra tomar uma cerveja, logo ao subir no onibus me deparei com a primeira do dia, estava eu sentado quando me chega um cara, senta, e solta a pérola: “e ai mô pai, beleza?” , Pai?!, pelo menos essa foi rápido pra decifrar, aqui todo mundo é “pai”, “viado” ou “negão”, mesmo se você estiver em um encontro de eunucos albinos heterossexuais e berrar um dos três nomes todos vão olhar procurando algum conhecido, mas no segundo em que minha mente ainda não tinha assimilado aquilo, pela segunda vez me senti velho, ou acabado no caso.

Continua no próximo post.

O primeiro choque

9 julho, 2008


Brasília, uma tarde de abril de 2007.

Em casa, sem nada pra fazer e com dinheiro no bolso banco, quando resolvo viajar para Salvador curtir mais um desencanto amoroso visitar a minha mãe, eis que chego a terra da felicidade, sabe com é né, vida de turista é sempre uma maravilha, um local paradisíaco, um padrasto como guia e uma semana para torrar toda aquela grana em praias e mais praias, a primeira vista, Salvador parece o céu comparado a Brasília, clima umido, praia, cerveja barata, bikinis, kilos de acarajé, moqueca, camarão, etc…

De cara, com menos de 30 minutos em Salvador ja escuto a primeira pérola, entro no carro, sinto um cheiro tenebroso de pinga (daquelas mais vagabundas mesmo) e meu padrasto diz: “Ah! Liga pro cheiro do carro não, porque fulano tava em água ontem.” , como em terra de índio não se grita, fiquei la parado, em guerra com meus neurônios tentando ao menos entender a lógica do que seria “estar em água” , eis que sou salvo pela minha tradutora mãe: “Tava em água quer dizer que tava bêbado” , e isso foi só o inicio do que vou mostrar aqui.

Tão rápido como decidi viajar, terminou minha viagem, e já estava eu olhando praquele bilhete aéreo, no ultimo dia com turista, quando decidi simplesmente migrar para Salvador, assim, meio que egocêntrico, sem pensar muito nas pessoas que eu deixaria em Brasília, sem pesar a saudade imensa e o amor que eu sinto pela Capital.

Voltei na data prevista para minha amada cidade, arrumei as malas definitivas, me despedi de quem prezo, e em uma semana, vim para esse universo paralelo chamado Salvador.

Não fazia idéia d’onde estava me metendo.