Contrastes.

11 julho, 2008


Como disse antes, vida de turista é comparada ao paraíso totalmente diferente habitante.

Quando se vem à Salvador como turista, você só vai aos melhores lugares mesmo que não pareça, faz todos os tours quase que obrigatórios e só enxerga beleza, arte e história por todos os lados, mas quando se decide mudar pra cá, você se assusta descobre o outro lado da moeda.

Que mais uma verdade seja dita, Salvador é uma das cidades mais lindas do país, com tanto que você não olhe para cima, não suba ladeiras e nem menos se aventure no Pelourinho.

Estava-mos de carro em um sábado, procurando um endereço no famoso bairro de Itapuã, que diga-se de passagem não tem nada demais, alias, tem casa feia demais, violência demais, buracos, botecos a não ser que você esteja acima do 4 andar em algum hotel, ai sim você vai perceber porque Vinicius amava esse bairro (a vista do mar de Itapuã contrasta totalmente com o resto, então se não for apreciada de cima, sozinha, nem se percebe que aquele é um dos cartões postais mais belos que você pode ver na vida), de ruas em ruas, entramos em uma que nos fez esquecer que estavamos até no Brasil de tão diferente que era, com estilo europeu, natureza equilibrada com cidade, muros e concreto (breve posto a foto aqui), imediatamente reduzimos para 0,5km por hora, porque ficamos em choque com tamanha beleza para contemplar tudo aquilo, pela primeira vez na minha vida senti extrema vontade de morar em algum lugar acima de qualquer coisa, mas tudo tem fim, inclusive a rua, então ainda estupefatos entramos na próxima rua, bem vindo a favela da Rocinha! Essa é placa que faltou lá, o contraste foi imenso, dando até vontade de dar ré e voltar para imediatamente a rua “perfeita” , das casas arborizadas a falta de reboco da outra rua, dos quintais que remetem a mais perfeita calma as casas erguidas ocupando o maior espaço possível, só o reboco, lajes tortas de 3 andares, para o máximo de pessoas possíveis, a rua pobre atrás da rua rica, nobreza e plebe lado a lado, da calma e cheiro suave a poluição sonora, visual e esgoto a céu aberto, sem contar as placas ou seria mais apropriado “as pRaca”? em portões enferrujados, com um português meio árabe de tantos erros, como “temo chis tudu” ou “Jesus te amaR”, e isso é só um exemplo rápido do que se sofre com a dor nos olhos que isso causa vê por aqui (essa parte também vou postar em breve com fotos), e em meio a tudo isso, duas coisas me chamaram atenção, uma faixa de 3 metros em letras vermelhas: “LAVA LENTO” , e mais a frente, no unico espaço verde da rua feia, uma placa escrita “não joGe lixo seu” e um porco desenhado no final; é, nem em meio a tantas dificuldades, esse povo não perde o humor.

Salvador morre nas ladeiras, ao subir uma você pode além de ser assaltado, entrar na boca mais perigosa se perder, se chocar com o contraste, sem aviso prévio, hora você baba com a arquitetura histórica ou os novos prédios, hora você tapa os olhos para não ver a falta de cuidado que tiveram com a cidade ou a falta de senso visual da população. É o mais completo contraste, Por todos os lados, em todos os bairros.