Hospitalidade tem preço.

11 agosto, 2008


Quem disse que a hospitalidade dos baianos é degraça?
Acostumado com os preços de Brasília, ao sentar em uma barraca de praia em Salvador, pedir uma cerveja e pagar somente R$1,80 por ela “não tem preço”, é quando você pensa: “essa vista maravilhosa e a cerveja a metade do preço dos botecos de Brasília vai me deixar bêbado, eu quero ficar bêbado”, mas isso só aconteceu comigo pois não fui eu quem pedi a cerveja, e sim meu padrasto, um nativo com sotaque e cara de Sotéropolitano, logo não aguentei e comentei com ele o valor tão “simbolico” pago pela cerveja, e ele disse nun tom de sarcasmo: “amanhã vamo pa outra praia e cê pede a cerveja, eu quero é prova de que vai ser esse preço” . Dito e feito.

No dia seguinte, fomos a outra praia, não muito longe da que fomos na tarde anterior, chegamos, e eu abri a boca:

– Boa tarde! Tem Skin?
(ela assinala com a cabeça)
– Quanto custa?
– R$3,50.
– Pô! Na praia ali do lado é R$1,80!
– Oxi! To sabenu disso não senhô, na minha barraca sempre foi esse preço e nunca ouvi recramação.
(meu padrasto interrompe.)
– Colé mãe! Ta me achando com cara de turista é? Ó paí! Ta querênu me robá é? Se fizé até R$2,00 eu pago, se não agente levanta.

Ela vira as costas e vai buscar a cerveja. Incrível! Se eu estivesse sozinho ia pagar o preço de uma Bohemia em Brasília, só pelo meu sotaque de turista e minha cara perdido.

Depois disso fui testanto em outros lugares, a cocada que custa de R$0,50 a R$1,00, pra mim era oferecida a R$2,00, o acarajé de R$2,00 pra mim era R$5,00, até a Coca-cola ficou absurdamente cara pelo meu sotaque.

Agora pagar barato tem outro preço, depois da primeira, a segunda vai demorar anos pra chegar, a ponto de você ter de levantar e ir buscar, ou então reze pra não haver nenhum turista na mesma barraca que você, o atendimento dele é preferencial, o seu não faz a minima diferença pra eles.

E lá estava eu, roubado perdido em Salvador…

Tratamento.

4 agosto, 2008


Imagine-se andando na rua, uma pessoa que você conheceu na festa da semana passada te para e GRITA: “Diga aê, disgraça! Colé de mêrmo?” Ai você assustado com o tratamento maravilhoso e com a mente em pane tentando entender que porra é “colé de mêrmo”, responde com uma pergunta: “Beleza?”, dai sem te responder ele continua gritando: “E ai? Bó pu regui comê água negão?”, você ja arrependido de ter saido de casa e encontrado esse Brau na rua, vira e responde: “Cara, eu não curto reegae não”, ai ele continua berrando: “Ó paí! Tá me comediando é? Cê tava nu regui semana passada agora vem mi dizê que nun curti?! Se Plante vá!, já que cê ta me tirano de otario eu vô ali quexá uma pirigueti”. E enfim você da graças a Deus do ônibus ter chego, sobe correndo e anota tudo no celular pra quando chegar em casa, perguntar para alguem o que esse Mala tava querendo dizer, e só depois, você se da conta que o mal educado da história foi você, e não ele que só tava te convidando pra uma balada como se você ja fosse intimo.

Coisas da Bahia, mãe das girias…

Sexta!

1 agosto, 2008


Sabem como é,
estou na Bahia
hoje foi dia de correria
e agora só me resta aquela cervejinha
E é claro que não vou pra casa de carro:

Eu… o ônibus… a cerveja… a blitz… tchau blitz!!!


É fato que a felicidade reina nessa terra chama Salvador, e que todo esse tom histórico remete um certo romantismo pelo charme embutido nas velhas edificações da cidade e seus bares lotados de amantes da mais pura sedução.

Mas falta algo muito importante nos baianos (homens), que elas sentem uma falta extrema, a ponto de enlouquecerem com um simples turista, elas sentem falta de carinho, esse ato tão comum em outras culturas, que em Brasília por exemplo é tão normal quanto se dar um “Oi” , que é capaz de amolecer a mais chata enfurecida das mulheres, com o mais alto nível de testosterona (TPM), aqui é extremamente raro ver casais se acariciando, nem que seja uma mulher com a cabeça encostada ao ombro de seu amante e ele acariciando sua face ou seu cabelo, é mais fácil achar dinheiro na rua do que presenciar uma cena destas, mas a reclamação delas não é só quanto a demonstração de afeto em publico, mas em geral, tanto na rua como na cama em casa, eles deixam bem claro que só querem sexo, e isso estende-se a um dos maiores contradizeres dos Soteropolitanos, a cordialidade que eles exercem ao desconhecido, deixam de exercer à companheira, ao ponto de se presenciar a seguinte cena: um casal sai do supermercado, ela carregando sacolas e mais sacolas e ele uma caixa de cerveja e um saquinho com verduras (pra não dizer que não esta carregando nada), como se aquela fosse um objeto, e se por ventura vierem a se casar, ela não deixará de ser um objeto para ele, e sim é ai que as coisas irão piorar, “esqueceram de incluir o carinho e o respeito na colonização de Salvador”, porque se não bastasse a falta de carinho, falta o respeito que acaba sendo uma troca (ou a falta dela) mútua, sendo a poligamia um ato normal na vida dessas pessoas, mas não achem que um homem em Salvador trai sua mulher por “algo ou alguém melhor”, e sim por qualquer “coisa” que esteja acessível naquele momento.

Assim como, em mais de 1 ano de Salvador, ainda não conheci ou vi uma baiana que seja meiga, porque de que adianta para elas fazer cara de cachorro que caiu da mudança no meio do temporal tipo de mulher carente se ela não vai receber carinho de ninguém, falta carinho e respeito com quem esta lá, do lado deles, suas companheiras, que lutam assim como eles todos os dias, e mesmo assim, sempre sorrindo.

Salvador, terra da felicidade!
Mas é só felicidade sem carinho viu?

Festas.

14 julho, 2008


Ainda não tomei conhecimento de terra com mais feriados e motivos mais esdrúxulos possíveis para se festejar do que em Salvador.

Talvez seja essa a tomada que recarrega o bom humor desse povo, pois se uma folha cai no chão, ja pode virar motivo para festa, que na maioria das vezes, é absurdamente carinhosamente batizada de lavagem.

Quando conheci a famosa igreja do Bonfim, logo pasmei, não consegui naquele instante entender porque alguém levaria o dia todo para lavar aquelas escadinhas, vendo na televisão, imaginamos uma escadaria sem fim (como a escadaria da Penha no Rio), mas na realidade, são meros lances de escada, chega imaginei uma pessoa com uma escovinha de dentes na mão pra lavar aquilo, ai sim levaria um dia todo pra isso.

Mas o que a televisão não mostra, é a festa que rola em torno da escada, ficando a escada somente como desculpa pra festa, antes de vir a Salvador, achava eu que essa era a unica “lavagem” daqui, mas estava errado, até aonde não se tem o que lavar, se inventa uma lavagem, lavagem da casa de Fulando, do caro de Ciclano…

Tanto no Carnaval como no São João, a cidade para, pessoas chegam ao absurdo de pedir demissão de empresas mesmo estando em um cargo promissor ou cobiçado, caso a empresa não dê o recesso (que é de uma semana), escolas fechadas, férias quase forçadas, aquela metrópole agitada, engarrafada todos os dias, vive assim uma semana de solidão durante o São João, e uma semana de farras mijo, sujeira, violência, abusos no Carnaval.

E ta ai outra coisa que a televisão não mostra, a violência do carnaval de Salvador, e essa violência é gerada pela policia em sua maioria, o que chama mais atenção, é uma linha, “desenhada” no circuito do carnaval, de passeio e uso exclusivo da policia, se você se quer pisar nessa linha, seja você, branco, negro, japa, mulher, eunuco, albino, grávida, gringo, com certeza você vai apanhar, e é melhor apanhar calado, se não vai preso, então nem no carnaval tão prestigiado, em Salvador você esta a salvo.

É por essas, outras, algumas e mais outras que eu amo ficar em casa.