Lembram do encontro que não aconteceu devido a agilidade do transporte publico? Pois bem, isso ainda me rendeu mais alguns cabelos brancos e um dia de raiva.

Depois de conversas e mais conversas duas semanas de ladainhas com a B. (a mulher que eu havia falado), ela pareceu ter acreditado que eu realmente fiquei “preso” naquele ônibus e que não dei um bolo de propósito e sim acidental, re-marcamos no mesmo maldito lugar, só que em um domingo, onde a proposta que ela fazia, era irmos a um churrasco e depois “inventarmos alguma coisa” (vocês sabem bem o que eu tava pensando em inventar ne), marcamos as 11 horas, dessa vez eu ja tava traumatizado, então fui de carro, cheguei com mais de meia hora de antecedência, e ao badalar das 11 horas, liguei pra ela para explicar o ponto exato que eu estava, roupa, etc…

“12 horas e nada! Meu deus do céu! Cadê essa mulher?”, pensava eu, ja sem reação com tanta puta derrubada garota de programa que habita todo o Centro Histórico me oferecendo sexo e drogas, praticamente uma mais derrubada que a outra a cada 5 minutos (ter cara de turista é uma droga, garota de programa na bahia não pode ver um turista que parece um tarado num concurso pornô.), e eis a hora que eu me fodo me ferro, começo a ligar pra ela, e advinham? Ninguém atende! Tanto do meu celular, quanto de todos os 12 orelhões e do Voip da Lan House de lá.

“Putz! Maravilha de troco! Mal cheguei e ja to apanhando! Será que eu nunca vou tomar vergonha na cara e parar de acreditar em perdão?”

E assim fui eu, puto da vida, ainda por burrice esperar mais uma hora, e ligar, ligar, ligar e ligar, até o dedo doer, e enfim tomo vergonha na cara e me lembro que ainda existia amor próprio e fui embora.

Mas ao chegar em casa, advinham quem estava no msn?

Continua…


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”