Perdido e sozinho

29 julho, 2008


A mais de um ano em Salvador, ja conheci vários outros perdidos e perdidas, do sul, sudeste, norte e centro oeste, mas nem de longe achei alguém de Brasília, pra não dizer nunca, houve uma pessoa que também veio de Brasília se perder em Salvador, mas essa não durou nem 1 ano e logo retornou pra Capital.

Talvez isso encaixe na maior diferença que um brasiliense tem ao resto do pais, normalmente o nordestino ou também o paulista, são bairristas e amam sua cidade e seu povo, o brasiliense não, nós somos eternos apaixonados por Brasília, e nem sempre pelo nosso povo, alias, que se fere o povo nunca pelo nosso povo.

Não só a cordialidade nos falta, mas na realidade simplesmente não nos importamos mais por alguém só pelo simples fato dessa pessoa ter nascido no mesmo solo que nós (“não pedi pra nascer ali, e nem você, então se achas que irei fazer mais por você do que por outra pessoa por isso, azar o teu amigo, porque eu não vou fazer nada”).

Mas o que mais pode espantar um brasiliense de Salvador, é o trauma! Isso mesmo, o maldito trauma.

Por termos a triste cultura de não confiar em ninguém (inclusive aquele vizinho com cara de bonzinho e mais de 60 anos que nos viu crescer), dá medo toda essa cordialidade e humildade Sotéropolitana, em Brasília aprendemos desde cedo que quem estende a mão quer algo em troca, e que por trais de um sorriso caridoso, pode se esconder um monstro impetuoso.

É… perdido e sozinho, e ao mesmo tempo sob a melhor companhia que o brasil pode oferecer, a companhia dos baianos, a companhia dos cordiais Sotéropolitanos.