Pausa para a cultura:

Tem mais aqui: www.osmaiscomedias.com.br 

Perdido resp… Esclarece.

26 agosto, 2010


Comentário recebido pelo colega Francisco por este post:

“Sr. Perdido,
É uma pena perceber que existem pessoas generalistas e que fazem questão de ridicularizar os outros como vc. Confesso que foi difícil ler um texto com tantos preconceitos.
Normalmente o preconceito é causado pela ignorância, isto é, o não conhecimento do outro que é diferente. Pelo o que escreveu, não tenho dúvidas que você nunca dirigiu em outras cidades do Brasil ou do mundo com situações bem mais complicadas. O exemplo de uma cidade que vc deve ter ouvido falar é o Rio de Janeiro. Aquela que é uma das cidades mais belas do Brasil. A dos cariocas que vc também fez questão de criticar no texto.
Enfim, não defendo os problemas do nosso trânsito, pelo contrário, busco fazer a minha parte e conscientizar os que estão ao meu lado. O texto que escreveu trata do baiano como um ser único, idéia totalmente equivocada pelo princípio das sociedades, no qual todos os indivíduos se diferem entre si e exercem funções distintas. Ao escrever este texto, a sua, por exemplo, está sendo o de tentar ridicularizar uma população com muito mais qualidades do que defeitos.
Sou um baiano que moro em São Paulo há três anos, exclusivamente por uma questão profissional, e sei exatamente o que estou falando. Vale a pena morar na Bahia. Estamos evoluindo individualmente como cidadãos e coletivamente como sociedade.
Não é o meu propósito destruir seus preconceitos e tentar convencê-lo a evitar suas críticas e deixar que qualquer tipo de sujeira faça parte das nossas rotinas. Sugiro apenas que escreva os seus textos com a mesma qualidade, mas lembrando sempre que o preconceito maléfico não gera consciência e sim discórdia.”

Resposta:

Caro Francisco, ô meu colega de cidade, veja bem, o senhor leu bem o texto? pois no mesmo está citado: “Robson Oliveira (baiano)”, no inicio do texto, pra constar quem é o autor do texto, até porque, na web, por ética inclusive, não copiamos o que por outro foi feito sem dar os devidos créditos. O que escrevi vem antes dele, quando falo da engenharia negativa de transito e total falta de fiscalização e controle.

Todavia, não discordo do que o Robson escreveu, e todos os mais de 50 baianos que tenho contato não discordaram, e sim em sua grande maioria concordaram, há quem (Nascido e criado aqui, de boa familia, boa índole, de boa formação e mais de 15 anos de carteira) ainda disse tempos depois: “Velho, esse negócio de metê o terço funciona mesmo!”, como se fosse bonito.

Uma leitora (Paulista) que migrou pra cá recentemente, em sua chegada, disse-me pelo messenger que a primeira coisa que notou aqui é que as pessoas se atacam no transito, ao invés de dirigirem.

Mas enfim, não quis ridicularizar o baiano, longe de mim esse tipo de atitude, até porque se eu achasse o baiano um ridículo ou algo do tipo, não teria migrado pra ca e muito menos ficado até hoje, sem planos de voltar pra minha amada Brasília, e olha meu caro, não to aqui por motivo puramente profissional, to pois aprendi a gostar e enxerguei de primeira, o valor dessa cidade, e dos que aqui nasceram e habitam.

Para que não haja mal entendimento de outros leitores, resolvi postar sua resposta, para que fique claro, que Salvador e os baianos, possuem seus problemas unicos e suas qualidade unicas, como qualquer outro lugar do planeta, não to aqui para medir quem ou o que é melhor, só estou aqui para contar o ponto de vista de quem veio de fora, e que ja viu muitas coisas e muitas outras capitais desse Brasil de todas as cores.

Resumindo:
O baiano tem sua própria cultura, seu jeito de ser, agir, pensar, resolver (ou não), e isso não o torna ridículo ou inferior, isso só o torna unico, como todo e qualquer povo que disponha de cultura própria.

Por fim, o blog é de todos, quem quiser enviar qualquer tipo de manifestação contra ou a favor do que aqui é publicado, como fez o nosso caro colega Francisco, sinta-se à vontade.


Salve galera!

Inauguro agora o Especial Perdido em Bsb, (dai você deve estar se perguntando: “mas ano passado você disse que ia fazer o mesmo e só postou 2 vezes ¬¬, mas é que dessa vez estou “armado com a cam do celular”), mas primeiro vou começar com uma reclamação e um esquecimento:

Nunca havia viajado pela Webjet, e confesso que me arrependi, porque? R= (Todos consumamos dizer que a Gol é um Grande Onibus Lotado, conotando que é apertado, mas na verdade amigos), a Webjet parece uma lata de sardinha! Isso mesmo! Apertada tão quanto uma lata de sardinha! (O avião a lata e os passageiros a sardinha) Foi simplesmente impossível esticar as pernas e olha que eu sou tampinha, me senti literalmente em um ônibus, (e pra piorar com um gordinho do meu lado que dormiu e hora caia para o meu lado, hora caia para o lado da moça do corredor, passamos a viajem fazendo o cara de João Bobo, eu jogava ele pro lado dela, ela empurrava devolta,) TENSO o negócio.

Também havia esquecido que aqui em Brasília se demora mais esperando o ônibus do que dentro dele, 40 minutos de espera pra 15 minutos de viagem, (pelo menos não estava lotado e couberam minhas pernas, já que o buzão não era um Boing da Webjet).

Agora a foto do dia:  (ou o que restou dela já que foi tão bem tirada quanto a minha cara)

(Fim de tarde tradicional de Bsb – Aeroporto IJK)

Manhã tem mais! (Se eu não estiver bêbado, claro)


Salve galera!

Fiquei lisonjeado  com a quantidade de “parabéns” que ouvi no dia do aniversário da minha terra natal, ta ai mais um fato de cordialidade baiana, agora, vai comentar em Bsb que é aniversário de outra cidade…

Como dizem aqui, “sê vai vê a miséra  que vai ser!”


É interessante como até hoje os posts da professora toda enfiada dançarina estão vivos aqui no Perdido. nunca achei que uma bunda ia render tanta coisa por tanto tempo

Bom galera, to vivo, ainda em Salvador, ainda o melhor amigo do google maps, e depois de tomar um chá de vergonha na cara decidi que era hora de dar continuidade a essa joça ao Perdido.

Vamo nessa… miseeeeeeraaaa!

Brasilia… ah Brasilia…

16 agosto, 2009


Brasilia estava linda, o mesmo céu mágico cor no final de tarde, a mesma lua gigante no céu estrelado, o cheiro de gasolina e diesel (que é? eu gosto uai), as arvores começando a secar, o frio intenso da madrugada, a arquitetura exuberante, o choop gelado, o lago amado, o congresso, os candangos (a escultura), o parque da cidade e seu ar quietante, a falta de educaç… Opa, a falta de educação eu não tava com saudades não!

É incrivel como quem mora em bsb acostuma com esse triste fato, ô povo mal educado!
Quando moramos lá, não percebemos, acostumamos de uma forma automática, mas quando se passa uma boa temporada fora de bsb e volta para visitar, é ai que vem o choque, é cobrador e motorista de onibus sacaneando tratando mal todo mundo, o cara da padaria, farmacia, mercado, todos! É horrivel essa triste realidade, dessa cultura fraca de protecionismo pessoal.

É por isso que vim para Salvador, povo calorento, aconchegante, hospitaleiro e mesmo largado pelo estado, com estudo fraco, sofrendo pela falta total de planejamento e desordem da cidade, ainda assim tem forças para sorrir, e sabe que a amizade é tudo na vida de qualquer pessoa.

Saudades bsb, saudades da cidade, não da falta de educação!


Salve queridos leitores.

Essa semana vou comerçar o especial Perdido em BSB.
Sabem como é ne… ferias… chuva intensa em Salvador… isso tudo da uma saudade da terra natal, que decidi voar pra BSB, então para quem não conhece minha terra natal, vou estar postando coisas sobre a cidade dos pecados, e claro que não vou fugir do tema Salvador durante esse periodo…

Amanhã pósto sobre o choop de hoje… ehehehe

Aguardem!

Perdido Responde

26 fevereiro, 2009


Comentario recebido:

“Olá, Pois é, também estou pensando em morar em Salvador. Recebi uma proposta de trabalho e estou muito tentada…quem sabe vc me ajuda a decidir. Que a Bahia é maravilhosa eu também acho e já comprovei, conheço Salvador e tenho alguns amigos baianos. Eu preciso saber mesmo é sobre o Custo de vida, pra ver se o que eu vou ganhar de salário dá pra viver, além de viajar pra Sao Paulo todo mês pra ver minha filha, que vai continuar morando aqui. Se vc puder me ajudar, queria saber custos de aluguel (02 quartos), alimentação, energia eletrica, telefone, trasnporte, estas coisas básicas, ok? valeu, um abração Soraia”

Perdido: E ai Meu, tudo beleza?

Bom, o custo de vida em salvador é baixo comparado ao absurdo de brasilia , recentemente, o Perdido aqui (aproveitando o pé para um dos motivos da minha sumida) se mudou, aluguei justamente um apartamento de 2 qts, em bairro de classe média, um local tranquilo, com onibus na porta (isso é muito importante em Salvador), criança brincando na rua até tarde, enfim, um bom lugar para se morar, pago no total R$450,00 por mês pela nova moradia, mas claro que isso varia de bairro para bairro, mas o que mais varia é o valor do condominio, ha bairros que o aluguel não passa de R$500 para um bom 2 qts grande, mas como contraparte você encontra condominio desde R$50 até R$500, mas como disse, depende de bairro para bairro.

Sobre a alimentação, bom, uma feira para 1 pessoa com várias besteiras no carrinho não passa de R$300, aqui temos os atacados, que fazem uma grande diferença na dispensa.

Sobre energia e telefone, bom, a energia eu não tenho como comparar… não sei custo de Sampa, mas essa ao meu ver pago o mesmo que pagaria em Brasilia, e o telefone depende da sua operadora, pra fixo tem Telemar e agora GVT, e celular tem Oi, Tim, Vivo, Claro e agora Nextel, enfim, cada operadora tem um jeito de cobrar.

Bom, obrigado pela pergunta e pela visita.

Pessoal! Quem tiver alguma curiosidade sobre Salvador, pergunte ao Perdido.

Perdidas…

6 outubro, 2008


Bom, estava eu numa tarde de sexta feira pensando: “Putz! To sem tempo pra atualizar o Perdido, pior que nos ultimos tempos estive realmente muito ocupado, e agora?”. Então depois de uma longa reunião entre eu e o ditador, resolvi chamar duas gatas amigas para serem as novas Perdidas, ta certo que ambas moram em sua cidade natal, mas estando uma em Salvador e outra em Brasilia, elas poderão dar um outro lado de todos os depoimentos e experiencias que possam ser vividas em ambas as cidades, então caso você veja algum post afeminado, não pense que o Perdido aqui virou Perdida ou que o Perdido em Salvador foi invadido por uma revolução feminina que assola o mundo, nem menos porque toda mulher anda armada.


[abreaspas] Perdido diz: Putz! Nunca demorou tanto pra se fazer um post! hehehe. Eu ainda fiquei na duvida de postar em duas partes, mas deixamos como está, demorou, mas saiu um livroooooo; detalhe de que o tachado é o post.”[fechaaspas]

Então, resolvi aceitar esse desafio de colaborar aqui no Perdido fazendo um post sobre Salvador e o que eu (pouco) sei sobre Brasília.

Na verdade não me faltam assuntos sobre Salvador… e taí o problema, não me faltam, sobram! Mas como sei que muitos deles estarão digitados aqui em breve… vou adiantar o reggae*, meu lado e o texto.

Sendo assim a primeira observação que faço é sobre a simpatia dos soteropolitanos. É bonito ver como aqui as pessoas são e podem ser mais alegres, mais leves com a vida. Tudo bem que o cenário ajuda bastante, mas é como se todos soubessem que engrandecer os problemas não ajuda muito e só ocupa a mente e o fim-de-semana.

Pois é, simpatia, solidariedade… dá até gosto pedir informação na rua, acho que é o único lugar no mundo (fora as cidades pequenas que não têm tanta coisa interessante pra se fazer…), que uma pessoa é capaz de desviar do próprio rumo pra ajudar outra a encontrar seu objetivo.

Isso se deve também a um relativo nível de (futricagem) curiosidade. São essas mesmas pessoas que em uma hora de conversa se tornam seus melhores amigos, no dia seguinte estão dormindo na sua casa, na semana que vem pedindo dinheiro, roupa, mulher, marido, cachorro ou a po**a toda (como dizemos carinhosamente por aqui) emprestados. E nem é por mal, é por bem mesmo ou simplesmente pelo fato do baiano ser um ser sociável (em sua maioria).

Característica que me remete instantaneamente à malandragem baiana… no modo de se portar, de paquerar (uma dica para as mulheres, se estiver no reggae** e sorrir um pouco mais efusivamente para um cara, mesmo que não seja com segundas intenções, fud*u, pode apostar que em 5 segundos tem um maluco te dizendo mil e uma frases “criativas” ao pé do ouvido, tipo: “Seu burro tá na sombra?”), de levar a vida, de trabalhar… Tal como nossos dialetos: “é barril, véi”, “queimação, papá”, “se chegue não, vú”, “tô de cara!”, “bala!” e o tão famigerado “massa” (usado pra tudo!), “E o acarajé? Massa!”,  “Gostou do show? Massa!”, “Vamos passear? Massa!”, “Perdi tudo, velho… Massa!.

Resumindo, Salvador é terra de alegria, do carnaval também (e nem precisa de comparações com Recife e demais cidades, são energias e perspectivas totalmente diferentes, só vivenciando pra ter noção), da diversidade musical (que vai além do Axé, já que nós estamos cada dia mais abertos – lá ele*** – a novos segmentos musicais, seja o dub com percussão, ao rock com ragga, ao reggae com riff’s engajados, sem esquecer da nossa cultura regional), da variedade artística (são mais de 30 teatros na cidade, com artistas e peças de muita qualidade, algumas poucas salas de arte, alguns cinemas principais, um circo de tradição e outros de passagem…), dos dias insuportavelmente quentes, da pouca valorização dos profissionais em geral, das noites que acabam cedo, dos engarrafamentos gigantes em dias chuvosos, das festas de camisas coloridas e por aí vai.

Mas mudando de SSA para BSB, que há alguns anos atrás pra mim era somente a sigla de BackStreetBoys e nada mais que isso (0_0)… o que primeiro vem na minha cabeça é: POLÍTICA (assim em caixa alta mesmo). E aí segue… planalto central, diretas já, ditadura, Lula, poeira, Niemeyer, asfalto liso, cidade plana, rock, Renato Russo (que é carioca!), organização, concurso público, dinheiro… e só. Admito que meu conhecimento sobre o Distrito é quase zero e talvez por isso tenha vontade de conhecer a cidade… pelo menos lugar pra ficar já sei que tenho né, hehehe.

Por Larissa Oliveira. 

Legenda:
*Reggae: processo, situação
**Reggae: rock, night, balada
***Lá ele: Lá nele, em mim não.

Relato de uma Candanga…

5 setembro, 2008


Fui afortunada.. por um sorteio no mínimo suspeito, pra fazer um post sobre Brasília e Salvador. Peraaêeeeeee.. eu nunca fui em Salvador, fudeu!

Comecemos por Bsb, aliás essa eu conheço bem!

Capital federal, lugar onde a umidade do ar varia entre 2 e 90%, aqui todo mundo é velho, seja novo ou seja velho mesmo! É velho, velho e velho. Quando naum souber o q dizer, naum tiver o q dizer, ou lhe faltarem as palavras.. é infalível.. exclame! Veéeeeeii! Paradoxal… todo mundo conhece todo mundo, mas ninguém conhece ninguém na verdade.

Ao contrário dos outros centros metropolitanos, as favelas ficam longe, beeeem longe das mansões, e detalhe.. a passagem é R$3,00, a mais cara do Brasil! Tudo é longe, reto, amplo e limpo. Pelo menos onde os olhos da elite alcançam! (Perdido diz: Longe?! Tadinha, ela não mora em Salvador…)

Comprar pó é mais fácil q pão, e pra comprar “crack” você anda menos do que pra chegar a parada de ônibus…q aliás, também é longe! As ruas naum tem nomes, nem esquinas.. tudo é numerado W3, L2, 405, 913… bem sinalizada, placas pra todos os lados, só q analfabeto aqui tem menos mobilidade q tetraplégico.

Ao contrário do que se pensa, quem é de Brasília naum necessariamente é filho de senador, marajá, não vive em função de queimar índio em parada e nem espancar garçom (em Salvador). Os shoppings são a sensação, pq aqui naum se tem absolutamente NADA pra fazer.. ateh tem, mas um baladinha simplória não fica por menos de R$40,00, não mesmo!

As tribos urbanas são bem definidas. Diferenciadas por duas coisas básicas: música e grana! Pobre anda com pobre e ponto. Os playboys gostam das loiras siliconadas, e o resto.. se mata no cabeleireiro, na academia e nos centros estéticos ( q existem em maior quantidade do que igrejas e butecos). Não poderia deixar de fora os EMOS.. eles são responsáveis por Brasília ser denominada a “San Francisco brasileira” (aqui tem a maior concentração de gay por metro quadrado! FATO) (Perdido diz: O pessoal de Sampa vai contestar isso, né Vini? Pcc?..)

As crianças não brincam na rua, mas os carros param na faixa de pedestre. Brasília é cheia de dores e delícias; é o lugar onde vc demora meses pra fazer um amigo… mas vai tê-lo pro resto da vida. Onde vc naum vai conseguir respirar de tanta secura, mas vai pensar duas vezes antes de mudar, vc odeia hoje, e a manhã jah ama de novo e mais e mais!

Salvador…posso esculhambar?

Para ser sincera quando penso jah me vem a cabeça o pelourinho, a galera do rasta atrás do olodum (sem preconceitos.. eu USO rasta!) as baianas vendendo acarajés… o povo deitado numa rede… visão limitada seeeeii! Se bem q se vocês vivessem numa rede eu entenderia perfeitamente, pq calor dá uma lesêeera! Penso tbm em carnaval, Ivete Sangalo, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gal Costa, até na podre da Pitty, que vamos combinar neah gente! (tem as manhas de cagar tudo q ela põe a mão!) Continuem produzindo a galera do axé.. vocês são bons nisso! Deixa o Rock pra gente! ;D

Transmissores de alegria, diversão… hospitaleiros. E vamos parar com isso de que baiano é preguiçoso, p0or que no fundo no fundo.. todo mundo é!

postado por Michelle, candanga perdida 1 dia em Salvador.

Perdido diz: Pra quem não sabe, parada é ponto de ônibus, e pagode é axé.

Se você tem alguma coisa pra dizer ao perdido ou contar, mande-me um e-mail: blogperdidoemsalvador@wordpress.com


Pedi a duas pessoas que enviasse cada uma um post para ser publicado aqui no Perdido em Salvador, uma de Brasília e a outra de Salvador, quando ambas perguntam o prazo, tendo eu respondido: “pode ser pra hoje” , tenho as seguintes respostas:
A resposta baiana:
“Pô véi, pode ser amanhã não? Sabe como é ne, todo baiano tem preguiça…rs”
A resposta da brasiliense:
“Putz! Posso deixar pra amanhã? To cheia de trabalho aqui, e também é que eu to numa ressaca maldita, fui pra uma festa ontem…”

Enfim, ficou tudo pra amanhã, (de qualquer forma eu não ia publicar hoje mesmo pois ia revisar antes),

A baiana e sua eterna ressaca…

Abrasiliense e sua eterna ressaca…

Tudo se resume em ressaca.

O mundo ta invertendo… ou como dizem aqui, “se batendo”.

Bom, amanhã, post especial quase confirmado! (se a ressaca deixar… é claro)

Se você também é um(a) perdido(a), mande sua contribuição pra ca, pelo e-mail: blogperdidoemsalvador@gmail.com

Chocando.

18 agosto, 2008


É regra pra quem vem de Brasília, ter que mudar todo o guarda roupas a chegar em Salvador, o calor é incomparável e a cultura é totalmente diferente.

Em Brasília eu trabalhava normalmente de Sobretudo, com se fosse um hábito, ou na maioria das vezes de preto, nunca de bermuda, sempre calça e sapato.

Já em Salvador isso é quase impossível de se impor, a começar com o calor que “racha” a cabeça de qualquer um, mas um belo dia, decidi sair de casa com meu velho Sobretudo, pra matar a saudade sabe, até então, eu nunca tinha me arrependido de ter vestido qualquer tipo de roupa, até então…

Na parada de ônibus (ou ponto com é aqui em Salvador) já me senti deslocado, fui encostar em um canto e todo mundo que estava próximo foi para o outro lado, todos olhando de relance para mim; ao chegar o ônibus, entrei normalmente sem o famoso empurra-empurra de sempre, parecia que a morte adentrava aquele coletivo comigo, pois todos olharam com aquele tom fúnebre e suas caras de medo e asco, pelo menos as criancinhas olhavam com admiração ou mera curiosidade, não vou omitir que ja me chamaram de mágico, batman ou mib, por causa desse Sobretudo, a mente livre das crianças não vêem aquilo como uma ameaça, até que, como se fosse de praxe, um menininho de mais ou menos 6 anos que estava um banco atrás de mim, me puxa e pergunta: “Ô moçú! Cê é mágico é?”, e antes que eu pensasse em responder, a mãe dele olhando feio pra minha cara, o puxa e diz para ele ficar quieto, e que ele não podia ficar falando com demônios na rua (essa foi a segunda vez que descobri o quanto eu tenho calma), po, demônio?! Interessante, eu não sabia que um Sobretudo dava esse status negativo, ao ponto de ser classificado como um demônio, mas não acabou por ai não, eu desci do ônibus e segui meu caminho, morrendo de vontade de rir da cara das pessoas que passavam por mim, ou melhor, que davam voltar para não passar por mim, pela primeira vez me senti bem em estar solitário, pois achei interessante toda aquela reação, nem a policia olhava na minha cara, e eu nunca vou esquecer, o tom acuado que o cobrador respondeu o meu “boa noite” quando eu entrei no ônibus de volta pra casa, muito interessante essa diferença cultural, exótica e chocante, chocante pra eles é claro.

(Isso me lembrou uma época em Brasília, que quando um Punk entrava no ônibus, todos faziam a mesma cara e ficava o mesmo tom fúnebre dentro do coletivo.)


A anos que a “Festa Americana” (aquela que os convidados levam tudo, inclusive outras convidadas) foi implantada no Brasil, seja com outros nomes, o intuito é o mesmo.

Em 2 meses de Salvador, fui convidado para uma festa na casa de uma conhecida, logo perguntei o que era pra levar, ja que fui condicionado a vida toda a fazer esse tipo de pergunta, tanto em festas de fundo de quintal na área mais pobre da cidade, como nas gigantes mansões da area nobre de Brasília, a resposta foi “Não traga nada! Não se leva nada para festa não, a não ser a barriga e o fígado.” E ao insistir em levar algo, ela se mostrou quase indignada com a situação, levou como afronta, e só ai a ficha caiu, de que em Salvador, quem convida banca tudo na maioria dos casos.

Outra diferença que percebi em conversas com outros aqui, é que em uma balada, se fulano esta afim de fulana, A MAIS DE UM MÊS! e mesmo que não tenha rolado nada entre eles porque o cara é lerdo e ruim de papo, todo o pessoal que anda com fulano, se recusa a ter qualquer aproximação com fulana que possa levar a algum relacionamento (mesmo que passageiro ou meros beijos), até mesmo se a fulana quizer outra pessoa da galera, então caso você seja amigo de um incompetente em matéria de mulher em Salvador, nunca saia com ele, a não ser que você tenha certeza de que não vai catar a mulher que ele ta afim, e que nem ela vai querer você, porque como ja disse aqui, as mulheres em Salvador tem atitude e chegam junto.

Dia mundial do orgasmo

31 julho, 2008


Sendo hoje o dia mundial da gozada do orgasmo, nada melhor do que abordar sobre o assunto, mesmo que  zilhões de outros assuntem a mesma coisa hoje.

Como nosso amigo do PCC disse hoje: “precisa de um dia pra isso?”, aqui em Salvador, NÃO PRECISA!

De todos os estados, por relatos e experiência própria, não existe mulher mais quente no Brasil, do que as baianas, tipo a resposta pra “O quê que a baiana tem…”, só que em um tom mais adulto e sincero.

Vários preceitos que rondam a sociedade são quebrados aqui em sua grande maioria, como o sexo no primeiro encontro por exemplo ou as brincadeiras nos cantos escondidos da cidade, assim como não é só papel do homem convidar uma mulher a um motel, mas sim de ambos, toma aqui a iniciativa quem está com mais vontade, com mais fogo.

Mas em diferença a tantas outras, como as brasilienses que fazem tanto charme para ir pra cama a ponto de segurar o cara por uma semana mesmo estando “a perigo” por frescura pura, as baianas não perdem tempo, ja que a vida é agora.

Sem contar o incentivo, que é de praxe se ver um motel em cima de um boteco, principalmente em tempos de lei seca, essa é uma ótima entrada saída.

E ainda os inúmeros casos de Ricardões, ja que a cultura baiana, reza que o marido corno não faz nada contra sua mulher, e sim mata o amante (não to brincando) e continua com a mulher, que um tempo depois vai arrumar outro amante isso se não tiver.

Então resumindo, na Bahia, não existe dia do orgasmo, e sim Milênio do Orgasmo!

“Porque sentir prazer, tem que ser todo dia, por toda a vida!”

Perdido e sozinho

29 julho, 2008


A mais de um ano em Salvador, ja conheci vários outros perdidos e perdidas, do sul, sudeste, norte e centro oeste, mas nem de longe achei alguém de Brasília, pra não dizer nunca, houve uma pessoa que também veio de Brasília se perder em Salvador, mas essa não durou nem 1 ano e logo retornou pra Capital.

Talvez isso encaixe na maior diferença que um brasiliense tem ao resto do pais, normalmente o nordestino ou também o paulista, são bairristas e amam sua cidade e seu povo, o brasiliense não, nós somos eternos apaixonados por Brasília, e nem sempre pelo nosso povo, alias, que se fere o povo nunca pelo nosso povo.

Não só a cordialidade nos falta, mas na realidade simplesmente não nos importamos mais por alguém só pelo simples fato dessa pessoa ter nascido no mesmo solo que nós (“não pedi pra nascer ali, e nem você, então se achas que irei fazer mais por você do que por outra pessoa por isso, azar o teu amigo, porque eu não vou fazer nada”).

Mas o que mais pode espantar um brasiliense de Salvador, é o trauma! Isso mesmo, o maldito trauma.

Por termos a triste cultura de não confiar em ninguém (inclusive aquele vizinho com cara de bonzinho e mais de 60 anos que nos viu crescer), dá medo toda essa cordialidade e humildade Sotéropolitana, em Brasília aprendemos desde cedo que quem estende a mão quer algo em troca, e que por trais de um sorriso caridoso, pode se esconder um monstro impetuoso.

É… perdido e sozinho, e ao mesmo tempo sob a melhor companhia que o brasil pode oferecer, a companhia dos baianos, a companhia dos cordiais Sotéropolitanos.

S. D. and Rock’n Roll

29 julho, 2008


Ê saudade que da, da minha terra e da antiga vida, nessa época tão bem vinda. putz! Haja nostalgia.

No próximo final de semana, Brasília vai dispor do Festival Porão do Rock 2008, nada mais nada menos que um dos maiores festivais do gênero na América Latina, com anos de tradição, 21 bandas por dia, nacionais e internacionais, mais de 140 mil pessoas em média por Festival, 2 palcos, 2 dias, e muito, mas muito S. D. and Rock’n Roll.

É verdade que o Porão perdeu muito em qualidade ao passar dos anos, e que de um projeto cultural passou a grande empreendimento comercial, (principalmente com os 40 reais cobrados por dia este ano. Esqueceram que roqueiro é quebrado e pra poder pagar isso numa entrada tem que economizar o ano todo) mas hoje em dia, o que mais vale é a tradição, e justamente essa tradição que me faz extrema falta, afinal, não é atoa que chamam Brasília de a “Capital do Rock”.

E como ja era de se esperar, Salvador hoje é extremamente carente desse tipo de divertimento, é raro ter algum showzinho se quer de rock nessa metrópole, e quando tem, é mal localizado, caro e sem qualidade ou novidade sonora, sempre as mesmas bandas, no mesmo lugar longe, e você ainda paga de 10 a 20 reais pra assistir 3 bandas (pasmem) covers (pasmem novamente) mal ensaiadas e isso sem contar com a aventura para voltar pra casa, alem da violência, a meia noite praticamente não existe mais ônibus e pra piorar a lei seca ta ai.

Mas pra não tirar o brilho se é que se tem brilho do único fes… festi… ah! grande evento voltado para os pobres roqueiros que não tem pra onde ir o gênero, existe o Palco Rock, literalmente no meio do circuito do carnaval, não considero um festival, pois pelo espaço do evento, se couber 6 mil pessoas alguém vai morrer pisoteado, agora imaginem, você olha pra trás e vê praticamente todos os ícones do pagode e do axé em seus trios elétricos levados por 1 milhão de pessoas (quantidade mínima de turistas em salvador na época do carnaval) e ao mesmo tempo se humilha espreme e direciona os ouvidos para um simples palco montado no pior lugar e momento do mundo para se fazer um show de rock.

Pelo menos é grátis! Também vem com a policia baixando o sarrafo embutida, e o impagável preço de ter que ir embora justamente no meio da tribo que mais ”ama” os roqueiros e suas vestimentas negras.

Ô saudade Porão, ê saudade.

Divirtam-se por mim Candangos!

Muito S. D. and Rock’n Roll!


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”


Após uma semana de correrias em Brasília, para arrumar a casa antes de dar adeus às minhas manias locais, finalmente retornei para Salvador em definitivo, e como uma regra, deixando de ser turista, comecei a sofrer automaticamente os problemas da cidade, de primeira peguei um engarrafamento ao sair do aeroporto por nenhum motivo aparente, e sofri mais ainda por estabelecer a meta de ficar no máximo 3 meses encostado hospedado na casa da minha mãe, eu tinha que aprender com urgência a andar sozinho em Salvador.

Mas pra quem estava acostumado com uma cidade plana, onde as placas de transito não mentem (saibam que em Salvador a 45km de Itapuã tem uma placa sinalizando o caminho junto ao nome de outro bairro que fica a 2km), onde um ônibus para um destino vai pegar a via mais rápida para o mesmo e que o povo simplesmente sente prazer em dar informação errada (é, candangos em sua maioria são mal educados, ja o povo baiano é 100% prestativo, salvo na hora do almoço e na hora de “batê o baba” *¹), não seria nada fácil se virar nessa cidade gigantesca, onde uma ladeira errada te leva a boca mais quente da cidade ao lugar mais distante do mundo, onde você não tem ponto de referencia norte-sul, e principalmente, quando você tem trauma de pedir informações. Mas independente disso, eu teria que dar um jeito.

Aproveitando que a um ano eu conversava com uma mulher de Salvador, achei perfeita a oportunidade de conhece-la pessoalmente e unir ao util de sair sozinho, sem meu guia turístico padrasto e assim começar a me virar e talvez fechar com chave de ouro minha dor de cotovelo que me levou a Salvador.

Marcamos de nos encontrar no Centro Histórico as 14 horas, de carro com o motorista meu padrasto, o trajeto levava 44 minutos sem engarrafamento, como eu ia de ônibus, achei que em 1:30h daria tempo de sobra, então sai de casa com 2 horas de antecedência, na minha cabeça havia tempo para perder 2 ônibus e ainda parar pra tomar uma cerveja, logo ao subir no onibus me deparei com a primeira do dia, estava eu sentado quando me chega um cara, senta, e solta a pérola: “e ai mô pai, beleza?” , Pai?!, pelo menos essa foi rápido pra decifrar, aqui todo mundo é “pai”, “viado” ou “negão”, mesmo se você estiver em um encontro de eunucos albinos heterossexuais e berrar um dos três nomes todos vão olhar procurando algum conhecido, mas no segundo em que minha mente ainda não tinha assimilado aquilo, pela segunda vez me senti velho, ou acabado no caso.

Continua no próximo post.

O primeiro choque

9 julho, 2008


Brasília, uma tarde de abril de 2007.

Em casa, sem nada pra fazer e com dinheiro no bolso banco, quando resolvo viajar para Salvador curtir mais um desencanto amoroso visitar a minha mãe, eis que chego a terra da felicidade, sabe com é né, vida de turista é sempre uma maravilha, um local paradisíaco, um padrasto como guia e uma semana para torrar toda aquela grana em praias e mais praias, a primeira vista, Salvador parece o céu comparado a Brasília, clima umido, praia, cerveja barata, bikinis, kilos de acarajé, moqueca, camarão, etc…

De cara, com menos de 30 minutos em Salvador ja escuto a primeira pérola, entro no carro, sinto um cheiro tenebroso de pinga (daquelas mais vagabundas mesmo) e meu padrasto diz: “Ah! Liga pro cheiro do carro não, porque fulano tava em água ontem.” , como em terra de índio não se grita, fiquei la parado, em guerra com meus neurônios tentando ao menos entender a lógica do que seria “estar em água” , eis que sou salvo pela minha tradutora mãe: “Tava em água quer dizer que tava bêbado” , e isso foi só o inicio do que vou mostrar aqui.

Tão rápido como decidi viajar, terminou minha viagem, e já estava eu olhando praquele bilhete aéreo, no ultimo dia com turista, quando decidi simplesmente migrar para Salvador, assim, meio que egocêntrico, sem pensar muito nas pessoas que eu deixaria em Brasília, sem pesar a saudade imensa e o amor que eu sinto pela Capital.

Voltei na data prevista para minha amada cidade, arrumei as malas definitivas, me despedi de quem prezo, e em uma semana, vim para esse universo paralelo chamado Salvador.

Não fazia idéia d’onde estava me metendo.