Pedi a duas pessoas que enviasse cada uma um post para ser publicado aqui no Perdido em Salvador, uma de Brasília e a outra de Salvador, quando ambas perguntam o prazo, tendo eu respondido: “pode ser pra hoje” , tenho as seguintes respostas:
A resposta baiana:
“Pô véi, pode ser amanhã não? Sabe como é ne, todo baiano tem preguiça…rs”
A resposta da brasiliense:
“Putz! Posso deixar pra amanhã? To cheia de trabalho aqui, e também é que eu to numa ressaca maldita, fui pra uma festa ontem…”

Enfim, ficou tudo pra amanhã, (de qualquer forma eu não ia publicar hoje mesmo pois ia revisar antes),

A baiana e sua eterna ressaca…

Abrasiliense e sua eterna ressaca…

Tudo se resume em ressaca.

O mundo ta invertendo… ou como dizem aqui, “se batendo”.

Bom, amanhã, post especial quase confirmado! (se a ressaca deixar… é claro)

Se você também é um(a) perdido(a), mande sua contribuição pra ca, pelo e-mail: blogperdidoemsalvador@gmail.com

Chocando.

18 agosto, 2008


É regra pra quem vem de Brasília, ter que mudar todo o guarda roupas a chegar em Salvador, o calor é incomparável e a cultura é totalmente diferente.

Em Brasília eu trabalhava normalmente de Sobretudo, com se fosse um hábito, ou na maioria das vezes de preto, nunca de bermuda, sempre calça e sapato.

Já em Salvador isso é quase impossível de se impor, a começar com o calor que “racha” a cabeça de qualquer um, mas um belo dia, decidi sair de casa com meu velho Sobretudo, pra matar a saudade sabe, até então, eu nunca tinha me arrependido de ter vestido qualquer tipo de roupa, até então…

Na parada de ônibus (ou ponto com é aqui em Salvador) já me senti deslocado, fui encostar em um canto e todo mundo que estava próximo foi para o outro lado, todos olhando de relance para mim; ao chegar o ônibus, entrei normalmente sem o famoso empurra-empurra de sempre, parecia que a morte adentrava aquele coletivo comigo, pois todos olharam com aquele tom fúnebre e suas caras de medo e asco, pelo menos as criancinhas olhavam com admiração ou mera curiosidade, não vou omitir que ja me chamaram de mágico, batman ou mib, por causa desse Sobretudo, a mente livre das crianças não vêem aquilo como uma ameaça, até que, como se fosse de praxe, um menininho de mais ou menos 6 anos que estava um banco atrás de mim, me puxa e pergunta: “Ô moçú! Cê é mágico é?”, e antes que eu pensasse em responder, a mãe dele olhando feio pra minha cara, o puxa e diz para ele ficar quieto, e que ele não podia ficar falando com demônios na rua (essa foi a segunda vez que descobri o quanto eu tenho calma), po, demônio?! Interessante, eu não sabia que um Sobretudo dava esse status negativo, ao ponto de ser classificado como um demônio, mas não acabou por ai não, eu desci do ônibus e segui meu caminho, morrendo de vontade de rir da cara das pessoas que passavam por mim, ou melhor, que davam voltar para não passar por mim, pela primeira vez me senti bem em estar solitário, pois achei interessante toda aquela reação, nem a policia olhava na minha cara, e eu nunca vou esquecer, o tom acuado que o cobrador respondeu o meu “boa noite” quando eu entrei no ônibus de volta pra casa, muito interessante essa diferença cultural, exótica e chocante, chocante pra eles é claro.

(Isso me lembrou uma época em Brasília, que quando um Punk entrava no ônibus, todos faziam a mesma cara e ficava o mesmo tom fúnebre dentro do coletivo.)

Comodismo e esquecimento.

18 agosto, 2008


Primeiramente peço desculpas por ter descuidado “disso” aqui… mas… correria é isso ai… triste de quem acha que aqui tudo é pro ano que vem, porque na realidade é pra ontem semana que vem.

Já falei aqui antes que baiano não é moroso como se é dito em todo o país, mas é claro que tem alguns pontos de comodismo preguiça algumas vezes. Como esperar 1 dia inteiro pra receber um orçamento de um serviço simples, ou então o fechamento da maioria do comércio (isso mesmo, de padarias, mercadinhos e até farmácias) na hora do almoço ou em feriados, não só para se alimentar, mas pra tirar o bom e velho cochilo (que não é em rede) de uma hora e meia.

A algum tempo joguei esse assunto em uma roda de discussão, tentando comparar principalmente a parte de serviços e atendimento (diga-se de passagem, péssimo na maioria das vezes) entre Salvador e outras grandes metrópoles como São Paulo ou até Brasília que nem é tão grande assim. E a reação bairrista foi logo esboçada pelos meus colegas Sotéropolitanos, defenderam sua cultura com o seguinte mandamento: “Se é pra amanhã, eu vou fazer outra coisa hoje.” Mas no quesito atendimento nada disseram e sim alguns concordaram que muitas vezes deixa a desejar.

Ainda assim, existe um problema social por trás disso tudo, as pessoas em Salvador reclamam da falta de oportunidade de emprego, e eu estranhando isso ja que Salvador abriga muitas empresas e indústrias, me deparei com o maior problema dessa cidade, a educação em si, vi algumas pesquisas e assustado descobri que existem sim várias vagas de emprego, só que elas simplesmente não são preenchidas, não só por falta de especialização, mas principalmente por falta de conhecimento em português básico e tratamento de pessoas, não só em concursos (que não são tão frequentes como em Brasília) mas principalmente em empresas de médio porte, forçando assim as microempresas a contratarem quem “sobra” no mercado mesmo sem um português ideal para um médio atendimento ou convívio com clientes, sendo assim, normal estar ao telefone com uma orçamentista que no final da ligação vai soltar: “Então tá, beijão negão!”, sendo aquela a primeira vez que você entra em contato, e ainda receber um e-mail formal com mais erros de português do que a redação de férias de um menino da primeira série.

Só aqui fui enxergar de uma vez que o português (matéria escolar), mesmo com suas “frescuras”, é o mais importante estudo em seu todo, sorte a minha vir de um estado que tem uma ótima educação e que não foi largado pelo gorverno nesse quesito.

Hospitalidade tem preço.

11 agosto, 2008


Quem disse que a hospitalidade dos baianos é degraça?
Acostumado com os preços de Brasília, ao sentar em uma barraca de praia em Salvador, pedir uma cerveja e pagar somente R$1,80 por ela “não tem preço”, é quando você pensa: “essa vista maravilhosa e a cerveja a metade do preço dos botecos de Brasília vai me deixar bêbado, eu quero ficar bêbado”, mas isso só aconteceu comigo pois não fui eu quem pedi a cerveja, e sim meu padrasto, um nativo com sotaque e cara de Sotéropolitano, logo não aguentei e comentei com ele o valor tão “simbolico” pago pela cerveja, e ele disse nun tom de sarcasmo: “amanhã vamo pa outra praia e cê pede a cerveja, eu quero é prova de que vai ser esse preço” . Dito e feito.

No dia seguinte, fomos a outra praia, não muito longe da que fomos na tarde anterior, chegamos, e eu abri a boca:

– Boa tarde! Tem Skin?
(ela assinala com a cabeça)
– Quanto custa?
– R$3,50.
– Pô! Na praia ali do lado é R$1,80!
– Oxi! To sabenu disso não senhô, na minha barraca sempre foi esse preço e nunca ouvi recramação.
(meu padrasto interrompe.)
– Colé mãe! Ta me achando com cara de turista é? Ó paí! Ta querênu me robá é? Se fizé até R$2,00 eu pago, se não agente levanta.

Ela vira as costas e vai buscar a cerveja. Incrível! Se eu estivesse sozinho ia pagar o preço de uma Bohemia em Brasília, só pelo meu sotaque de turista e minha cara perdido.

Depois disso fui testanto em outros lugares, a cocada que custa de R$0,50 a R$1,00, pra mim era oferecida a R$2,00, o acarajé de R$2,00 pra mim era R$5,00, até a Coca-cola ficou absurdamente cara pelo meu sotaque.

Agora pagar barato tem outro preço, depois da primeira, a segunda vai demorar anos pra chegar, a ponto de você ter de levantar e ir buscar, ou então reze pra não haver nenhum turista na mesma barraca que você, o atendimento dele é preferencial, o seu não faz a minima diferença pra eles.

E lá estava eu, roubado perdido em Salvador…

Tratamento.

4 agosto, 2008


Imagine-se andando na rua, uma pessoa que você conheceu na festa da semana passada te para e GRITA: “Diga aê, disgraça! Colé de mêrmo?” Ai você assustado com o tratamento maravilhoso e com a mente em pane tentando entender que porra é “colé de mêrmo”, responde com uma pergunta: “Beleza?”, dai sem te responder ele continua gritando: “E ai? Bó pu regui comê água negão?”, você ja arrependido de ter saido de casa e encontrado esse Brau na rua, vira e responde: “Cara, eu não curto reegae não”, ai ele continua berrando: “Ó paí! Tá me comediando é? Cê tava nu regui semana passada agora vem mi dizê que nun curti?! Se Plante vá!, já que cê ta me tirano de otario eu vô ali quexá uma pirigueti”. E enfim você da graças a Deus do ônibus ter chego, sobe correndo e anota tudo no celular pra quando chegar em casa, perguntar para alguem o que esse Mala tava querendo dizer, e só depois, você se da conta que o mal educado da história foi você, e não ele que só tava te convidando pra uma balada como se você ja fosse intimo.

Coisas da Bahia, mãe das girias…


A anos que a “Festa Americana” (aquela que os convidados levam tudo, inclusive outras convidadas) foi implantada no Brasil, seja com outros nomes, o intuito é o mesmo.

Em 2 meses de Salvador, fui convidado para uma festa na casa de uma conhecida, logo perguntei o que era pra levar, ja que fui condicionado a vida toda a fazer esse tipo de pergunta, tanto em festas de fundo de quintal na área mais pobre da cidade, como nas gigantes mansões da area nobre de Brasília, a resposta foi “Não traga nada! Não se leva nada para festa não, a não ser a barriga e o fígado.” E ao insistir em levar algo, ela se mostrou quase indignada com a situação, levou como afronta, e só ai a ficha caiu, de que em Salvador, quem convida banca tudo na maioria dos casos.

Outra diferença que percebi em conversas com outros aqui, é que em uma balada, se fulano esta afim de fulana, A MAIS DE UM MÊS! e mesmo que não tenha rolado nada entre eles porque o cara é lerdo e ruim de papo, todo o pessoal que anda com fulano, se recusa a ter qualquer aproximação com fulana que possa levar a algum relacionamento (mesmo que passageiro ou meros beijos), até mesmo se a fulana quizer outra pessoa da galera, então caso você seja amigo de um incompetente em matéria de mulher em Salvador, nunca saia com ele, a não ser que você tenha certeza de que não vai catar a mulher que ele ta afim, e que nem ela vai querer você, porque como ja disse aqui, as mulheres em Salvador tem atitude e chegam junto.

Perdido e sozinho

29 julho, 2008


A mais de um ano em Salvador, ja conheci vários outros perdidos e perdidas, do sul, sudeste, norte e centro oeste, mas nem de longe achei alguém de Brasília, pra não dizer nunca, houve uma pessoa que também veio de Brasília se perder em Salvador, mas essa não durou nem 1 ano e logo retornou pra Capital.

Talvez isso encaixe na maior diferença que um brasiliense tem ao resto do pais, normalmente o nordestino ou também o paulista, são bairristas e amam sua cidade e seu povo, o brasiliense não, nós somos eternos apaixonados por Brasília, e nem sempre pelo nosso povo, alias, que se fere o povo nunca pelo nosso povo.

Não só a cordialidade nos falta, mas na realidade simplesmente não nos importamos mais por alguém só pelo simples fato dessa pessoa ter nascido no mesmo solo que nós (“não pedi pra nascer ali, e nem você, então se achas que irei fazer mais por você do que por outra pessoa por isso, azar o teu amigo, porque eu não vou fazer nada”).

Mas o que mais pode espantar um brasiliense de Salvador, é o trauma! Isso mesmo, o maldito trauma.

Por termos a triste cultura de não confiar em ninguém (inclusive aquele vizinho com cara de bonzinho e mais de 60 anos que nos viu crescer), dá medo toda essa cordialidade e humildade Sotéropolitana, em Brasília aprendemos desde cedo que quem estende a mão quer algo em troca, e que por trais de um sorriso caridoso, pode se esconder um monstro impetuoso.

É… perdido e sozinho, e ao mesmo tempo sob a melhor companhia que o brasil pode oferecer, a companhia dos baianos, a companhia dos cordiais Sotéropolitanos.

S. D. and Rock’n Roll

29 julho, 2008


Ê saudade que da, da minha terra e da antiga vida, nessa época tão bem vinda. putz! Haja nostalgia.

No próximo final de semana, Brasília vai dispor do Festival Porão do Rock 2008, nada mais nada menos que um dos maiores festivais do gênero na América Latina, com anos de tradição, 21 bandas por dia, nacionais e internacionais, mais de 140 mil pessoas em média por Festival, 2 palcos, 2 dias, e muito, mas muito S. D. and Rock’n Roll.

É verdade que o Porão perdeu muito em qualidade ao passar dos anos, e que de um projeto cultural passou a grande empreendimento comercial, (principalmente com os 40 reais cobrados por dia este ano. Esqueceram que roqueiro é quebrado e pra poder pagar isso numa entrada tem que economizar o ano todo) mas hoje em dia, o que mais vale é a tradição, e justamente essa tradição que me faz extrema falta, afinal, não é atoa que chamam Brasília de a “Capital do Rock”.

E como ja era de se esperar, Salvador hoje é extremamente carente desse tipo de divertimento, é raro ter algum showzinho se quer de rock nessa metrópole, e quando tem, é mal localizado, caro e sem qualidade ou novidade sonora, sempre as mesmas bandas, no mesmo lugar longe, e você ainda paga de 10 a 20 reais pra assistir 3 bandas (pasmem) covers (pasmem novamente) mal ensaiadas e isso sem contar com a aventura para voltar pra casa, alem da violência, a meia noite praticamente não existe mais ônibus e pra piorar a lei seca ta ai.

Mas pra não tirar o brilho se é que se tem brilho do único fes… festi… ah! grande evento voltado para os pobres roqueiros que não tem pra onde ir o gênero, existe o Palco Rock, literalmente no meio do circuito do carnaval, não considero um festival, pois pelo espaço do evento, se couber 6 mil pessoas alguém vai morrer pisoteado, agora imaginem, você olha pra trás e vê praticamente todos os ícones do pagode e do axé em seus trios elétricos levados por 1 milhão de pessoas (quantidade mínima de turistas em salvador na época do carnaval) e ao mesmo tempo se humilha espreme e direciona os ouvidos para um simples palco montado no pior lugar e momento do mundo para se fazer um show de rock.

Pelo menos é grátis! Também vem com a policia baixando o sarrafo embutida, e o impagável preço de ter que ir embora justamente no meio da tribo que mais ”ama” os roqueiros e suas vestimentas negras.

Ô saudade Porão, ê saudade.

Divirtam-se por mim Candangos!

Muito S. D. and Rock’n Roll!


Lembram do encontro que não aconteceu devido a agilidade do transporte publico? Pois bem, isso ainda me rendeu mais alguns cabelos brancos e um dia de raiva.

Depois de conversas e mais conversas duas semanas de ladainhas com a B. (a mulher que eu havia falado), ela pareceu ter acreditado que eu realmente fiquei “preso” naquele ônibus e que não dei um bolo de propósito e sim acidental, re-marcamos no mesmo maldito lugar, só que em um domingo, onde a proposta que ela fazia, era irmos a um churrasco e depois “inventarmos alguma coisa” (vocês sabem bem o que eu tava pensando em inventar ne), marcamos as 11 horas, dessa vez eu ja tava traumatizado, então fui de carro, cheguei com mais de meia hora de antecedência, e ao badalar das 11 horas, liguei pra ela para explicar o ponto exato que eu estava, roupa, etc…

“12 horas e nada! Meu deus do céu! Cadê essa mulher?”, pensava eu, ja sem reação com tanta puta derrubada garota de programa que habita todo o Centro Histórico me oferecendo sexo e drogas, praticamente uma mais derrubada que a outra a cada 5 minutos (ter cara de turista é uma droga, garota de programa na bahia não pode ver um turista que parece um tarado num concurso pornô.), e eis a hora que eu me fodo me ferro, começo a ligar pra ela, e advinham? Ninguém atende! Tanto do meu celular, quanto de todos os 12 orelhões e do Voip da Lan House de lá.

“Putz! Maravilha de troco! Mal cheguei e ja to apanhando! Será que eu nunca vou tomar vergonha na cara e parar de acreditar em perdão?”

E assim fui eu, puto da vida, ainda por burrice esperar mais uma hora, e ligar, ligar, ligar e ligar, até o dedo doer, e enfim tomo vergonha na cara e me lembro que ainda existia amor próprio e fui embora.

Mas ao chegar em casa, advinham quem estava no msn?

Continua…

FraZe do dia.

16 julho, 2008


“Eles tem mais é que se lenhá! Eles tão pagando pelo que eles FEZ!

(Difícil é aceitar tal frase vinda de um cara de terno dentro de um Golf.)

Como dizia Vavá: “Salvem a Professorinha!”


É fato que a felicidade reina nessa terra chama Salvador, e que todo esse tom histórico remete um certo romantismo pelo charme embutido nas velhas edificações da cidade e seus bares lotados de amantes da mais pura sedução.

Mas falta algo muito importante nos baianos (homens), que elas sentem uma falta extrema, a ponto de enlouquecerem com um simples turista, elas sentem falta de carinho, esse ato tão comum em outras culturas, que em Brasília por exemplo é tão normal quanto se dar um “Oi” , que é capaz de amolecer a mais chata enfurecida das mulheres, com o mais alto nível de testosterona (TPM), aqui é extremamente raro ver casais se acariciando, nem que seja uma mulher com a cabeça encostada ao ombro de seu amante e ele acariciando sua face ou seu cabelo, é mais fácil achar dinheiro na rua do que presenciar uma cena destas, mas a reclamação delas não é só quanto a demonstração de afeto em publico, mas em geral, tanto na rua como na cama em casa, eles deixam bem claro que só querem sexo, e isso estende-se a um dos maiores contradizeres dos Soteropolitanos, a cordialidade que eles exercem ao desconhecido, deixam de exercer à companheira, ao ponto de se presenciar a seguinte cena: um casal sai do supermercado, ela carregando sacolas e mais sacolas e ele uma caixa de cerveja e um saquinho com verduras (pra não dizer que não esta carregando nada), como se aquela fosse um objeto, e se por ventura vierem a se casar, ela não deixará de ser um objeto para ele, e sim é ai que as coisas irão piorar, “esqueceram de incluir o carinho e o respeito na colonização de Salvador”, porque se não bastasse a falta de carinho, falta o respeito que acaba sendo uma troca (ou a falta dela) mútua, sendo a poligamia um ato normal na vida dessas pessoas, mas não achem que um homem em Salvador trai sua mulher por “algo ou alguém melhor”, e sim por qualquer “coisa” que esteja acessível naquele momento.

Assim como, em mais de 1 ano de Salvador, ainda não conheci ou vi uma baiana que seja meiga, porque de que adianta para elas fazer cara de cachorro que caiu da mudança no meio do temporal tipo de mulher carente se ela não vai receber carinho de ninguém, falta carinho e respeito com quem esta lá, do lado deles, suas companheiras, que lutam assim como eles todos os dias, e mesmo assim, sempre sorrindo.

Salvador, terra da felicidade!
Mas é só felicidade sem carinho viu?

Festas.

14 julho, 2008


Ainda não tomei conhecimento de terra com mais feriados e motivos mais esdrúxulos possíveis para se festejar do que em Salvador.

Talvez seja essa a tomada que recarrega o bom humor desse povo, pois se uma folha cai no chão, ja pode virar motivo para festa, que na maioria das vezes, é absurdamente carinhosamente batizada de lavagem.

Quando conheci a famosa igreja do Bonfim, logo pasmei, não consegui naquele instante entender porque alguém levaria o dia todo para lavar aquelas escadinhas, vendo na televisão, imaginamos uma escadaria sem fim (como a escadaria da Penha no Rio), mas na realidade, são meros lances de escada, chega imaginei uma pessoa com uma escovinha de dentes na mão pra lavar aquilo, ai sim levaria um dia todo pra isso.

Mas o que a televisão não mostra, é a festa que rola em torno da escada, ficando a escada somente como desculpa pra festa, antes de vir a Salvador, achava eu que essa era a unica “lavagem” daqui, mas estava errado, até aonde não se tem o que lavar, se inventa uma lavagem, lavagem da casa de Fulando, do caro de Ciclano…

Tanto no Carnaval como no São João, a cidade para, pessoas chegam ao absurdo de pedir demissão de empresas mesmo estando em um cargo promissor ou cobiçado, caso a empresa não dê o recesso (que é de uma semana), escolas fechadas, férias quase forçadas, aquela metrópole agitada, engarrafada todos os dias, vive assim uma semana de solidão durante o São João, e uma semana de farras mijo, sujeira, violência, abusos no Carnaval.

E ta ai outra coisa que a televisão não mostra, a violência do carnaval de Salvador, e essa violência é gerada pela policia em sua maioria, o que chama mais atenção, é uma linha, “desenhada” no circuito do carnaval, de passeio e uso exclusivo da policia, se você se quer pisar nessa linha, seja você, branco, negro, japa, mulher, eunuco, albino, grávida, gringo, com certeza você vai apanhar, e é melhor apanhar calado, se não vai preso, então nem no carnaval tão prestigiado, em Salvador você esta a salvo.

É por essas, outras, algumas e mais outras que eu amo ficar em casa.

Contrastes.

11 julho, 2008


Como disse antes, vida de turista é comparada ao paraíso totalmente diferente habitante.

Quando se vem à Salvador como turista, você só vai aos melhores lugares mesmo que não pareça, faz todos os tours quase que obrigatórios e só enxerga beleza, arte e história por todos os lados, mas quando se decide mudar pra cá, você se assusta descobre o outro lado da moeda.

Que mais uma verdade seja dita, Salvador é uma das cidades mais lindas do país, com tanto que você não olhe para cima, não suba ladeiras e nem menos se aventure no Pelourinho.

Estava-mos de carro em um sábado, procurando um endereço no famoso bairro de Itapuã, que diga-se de passagem não tem nada demais, alias, tem casa feia demais, violência demais, buracos, botecos a não ser que você esteja acima do 4 andar em algum hotel, ai sim você vai perceber porque Vinicius amava esse bairro (a vista do mar de Itapuã contrasta totalmente com o resto, então se não for apreciada de cima, sozinha, nem se percebe que aquele é um dos cartões postais mais belos que você pode ver na vida), de ruas em ruas, entramos em uma que nos fez esquecer que estavamos até no Brasil de tão diferente que era, com estilo europeu, natureza equilibrada com cidade, muros e concreto (breve posto a foto aqui), imediatamente reduzimos para 0,5km por hora, porque ficamos em choque com tamanha beleza para contemplar tudo aquilo, pela primeira vez na minha vida senti extrema vontade de morar em algum lugar acima de qualquer coisa, mas tudo tem fim, inclusive a rua, então ainda estupefatos entramos na próxima rua, bem vindo a favela da Rocinha! Essa é placa que faltou lá, o contraste foi imenso, dando até vontade de dar ré e voltar para imediatamente a rua “perfeita” , das casas arborizadas a falta de reboco da outra rua, dos quintais que remetem a mais perfeita calma as casas erguidas ocupando o maior espaço possível, só o reboco, lajes tortas de 3 andares, para o máximo de pessoas possíveis, a rua pobre atrás da rua rica, nobreza e plebe lado a lado, da calma e cheiro suave a poluição sonora, visual e esgoto a céu aberto, sem contar as placas ou seria mais apropriado “as pRaca”? em portões enferrujados, com um português meio árabe de tantos erros, como “temo chis tudu” ou “Jesus te amaR”, e isso é só um exemplo rápido do que se sofre com a dor nos olhos que isso causa vê por aqui (essa parte também vou postar em breve com fotos), e em meio a tudo isso, duas coisas me chamaram atenção, uma faixa de 3 metros em letras vermelhas: “LAVA LENTO” , e mais a frente, no unico espaço verde da rua feia, uma placa escrita “não joGe lixo seu” e um porco desenhado no final; é, nem em meio a tantas dificuldades, esse povo não perde o humor.

Salvador morre nas ladeiras, ao subir uma você pode além de ser assaltado, entrar na boca mais perigosa se perder, se chocar com o contraste, sem aviso prévio, hora você baba com a arquitetura histórica ou os novos prédios, hora você tapa os olhos para não ver a falta de cuidado que tiveram com a cidade ou a falta de senso visual da população. É o mais completo contraste, Por todos os lados, em todos os bairros.


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”


Após uma semana de correrias em Brasília, para arrumar a casa antes de dar adeus às minhas manias locais, finalmente retornei para Salvador em definitivo, e como uma regra, deixando de ser turista, comecei a sofrer automaticamente os problemas da cidade, de primeira peguei um engarrafamento ao sair do aeroporto por nenhum motivo aparente, e sofri mais ainda por estabelecer a meta de ficar no máximo 3 meses encostado hospedado na casa da minha mãe, eu tinha que aprender com urgência a andar sozinho em Salvador.

Mas pra quem estava acostumado com uma cidade plana, onde as placas de transito não mentem (saibam que em Salvador a 45km de Itapuã tem uma placa sinalizando o caminho junto ao nome de outro bairro que fica a 2km), onde um ônibus para um destino vai pegar a via mais rápida para o mesmo e que o povo simplesmente sente prazer em dar informação errada (é, candangos em sua maioria são mal educados, ja o povo baiano é 100% prestativo, salvo na hora do almoço e na hora de “batê o baba” *¹), não seria nada fácil se virar nessa cidade gigantesca, onde uma ladeira errada te leva a boca mais quente da cidade ao lugar mais distante do mundo, onde você não tem ponto de referencia norte-sul, e principalmente, quando você tem trauma de pedir informações. Mas independente disso, eu teria que dar um jeito.

Aproveitando que a um ano eu conversava com uma mulher de Salvador, achei perfeita a oportunidade de conhece-la pessoalmente e unir ao util de sair sozinho, sem meu guia turístico padrasto e assim começar a me virar e talvez fechar com chave de ouro minha dor de cotovelo que me levou a Salvador.

Marcamos de nos encontrar no Centro Histórico as 14 horas, de carro com o motorista meu padrasto, o trajeto levava 44 minutos sem engarrafamento, como eu ia de ônibus, achei que em 1:30h daria tempo de sobra, então sai de casa com 2 horas de antecedência, na minha cabeça havia tempo para perder 2 ônibus e ainda parar pra tomar uma cerveja, logo ao subir no onibus me deparei com a primeira do dia, estava eu sentado quando me chega um cara, senta, e solta a pérola: “e ai mô pai, beleza?” , Pai?!, pelo menos essa foi rápido pra decifrar, aqui todo mundo é “pai”, “viado” ou “negão”, mesmo se você estiver em um encontro de eunucos albinos heterossexuais e berrar um dos três nomes todos vão olhar procurando algum conhecido, mas no segundo em que minha mente ainda não tinha assimilado aquilo, pela segunda vez me senti velho, ou acabado no caso.

Continua no próximo post.

O primeiro choque

9 julho, 2008


Brasília, uma tarde de abril de 2007.

Em casa, sem nada pra fazer e com dinheiro no bolso banco, quando resolvo viajar para Salvador curtir mais um desencanto amoroso visitar a minha mãe, eis que chego a terra da felicidade, sabe com é né, vida de turista é sempre uma maravilha, um local paradisíaco, um padrasto como guia e uma semana para torrar toda aquela grana em praias e mais praias, a primeira vista, Salvador parece o céu comparado a Brasília, clima umido, praia, cerveja barata, bikinis, kilos de acarajé, moqueca, camarão, etc…

De cara, com menos de 30 minutos em Salvador ja escuto a primeira pérola, entro no carro, sinto um cheiro tenebroso de pinga (daquelas mais vagabundas mesmo) e meu padrasto diz: “Ah! Liga pro cheiro do carro não, porque fulano tava em água ontem.” , como em terra de índio não se grita, fiquei la parado, em guerra com meus neurônios tentando ao menos entender a lógica do que seria “estar em água” , eis que sou salvo pela minha tradutora mãe: “Tava em água quer dizer que tava bêbado” , e isso foi só o inicio do que vou mostrar aqui.

Tão rápido como decidi viajar, terminou minha viagem, e já estava eu olhando praquele bilhete aéreo, no ultimo dia com turista, quando decidi simplesmente migrar para Salvador, assim, meio que egocêntrico, sem pensar muito nas pessoas que eu deixaria em Brasília, sem pesar a saudade imensa e o amor que eu sinto pela Capital.

Voltei na data prevista para minha amada cidade, arrumei as malas definitivas, me despedi de quem prezo, e em uma semana, vim para esse universo paralelo chamado Salvador.

Não fazia idéia d’onde estava me metendo.