Eleipalhaçada 2008

7 outubro, 2008


Com certeza muitos notaram que o Perdido não fez nenhuma cobertura ou post sobre as putaria das eleições, pois bem, apresento a vocês, a nova, quer dizer, o novo, ah.. o não sei o que la vereador-a da cidade de Salvador:

Leo Kret

Simplesmente a/o 4ºª mais votado-a, e isso me assusta!
Não pelo fato de ele ser ela ou ela ser ele, eu não tenho nada contra quem decide seguir outro caminho em sua vida sexual, mas contra bicha escandalosa que só quer chamar atenção eu tenho! Sem contar a falta de vergona do povo soteropolitano que põe uma coisa destas pra ajudar a governar Salvador, pelamor! O que isso ai entende de politica, é a mesma coisa que meu poodle entende, uma pessoa que passou a vida na putaria, que ganhou os palcos de Salvador a alguns anos como dançarino-a de axé, e é claro, envolvido-a em mais escandalos que o Rogordinho e conseguindo ser menos carismatico-a que o Lacraia.

Mas é isso ai, depois do Frank Aguiar como deputado, eu não duvido de mais nada.

Depois reclamam que o país não vai pra frente… “Recrama ai vá mó pá! Cê ta lenhado seu Sacana!”

Perdidassa!

6 outubro, 2008


“Meu Deus olha onde eu vim parar!”

Pois é… e eu soteropolitana do dendê (da gema, que não seria…) estou de volta ao Perdido (flashback), dessa vez para comunicá-los de que agora faço parte dessa equipe perdidassa. Sendo assim não teria nome melhor para meu batismo.

Bom, espero poder me encontrar por aqui ao longo do tempo e compartilhar com vocês as histórias, curiosidades, mitos, acontecimentos e tantas outras coisas dessa pequena grande cidade de Salvador. Aproveito o contexto atual e… PROMETO não me extender tanto nos post’s (vide o fatídico 10/09).

Êa!

Perdidas…

6 outubro, 2008


Bom, estava eu numa tarde de sexta feira pensando: “Putz! To sem tempo pra atualizar o Perdido, pior que nos ultimos tempos estive realmente muito ocupado, e agora?”. Então depois de uma longa reunião entre eu e o ditador, resolvi chamar duas gatas amigas para serem as novas Perdidas, ta certo que ambas moram em sua cidade natal, mas estando uma em Salvador e outra em Brasilia, elas poderão dar um outro lado de todos os depoimentos e experiencias que possam ser vividas em ambas as cidades, então caso você veja algum post afeminado, não pense que o Perdido aqui virou Perdida ou que o Perdido em Salvador foi invadido por uma revolução feminina que assola o mundo, nem menos porque toda mulher anda armada.

Perdido Responde.

1 outubro, 2008


Comentário que chegou pra mim:

“Oi, tudo bem!
Meu comentário não tem nada a ver com o seu texto, por isso espero que não fique ofendido.

O que ocorre é que sou paulistano e estou pensando em pedir remoção para Salvador (sou concursado).
Tenho 27 anos, solteiro e sem filhos (e pretendo continuar assim), e tenho algumas dúvidas sobre a cidade:

1- Qual o custo de aluguel e condominio de um ape de 2 dormitorios por aí?  Não precisa ser exato, uma noção aproximada ja está de bom tamanho.
[classe média= R$350-R$500, classe alta= R$800-R$2.000, classe baixa= R$250-R$300, favela= “cenzin resorve tudo mo pá”]

2- O povo é receptivo? É fácil fazer amigos e conhecer gente em geral?
[Cara, ja leu os primeiros posts do blog? Eu nunca soube de povo tão receptivo e caloroso, e também verdadeiros! Se você estiver na merda, eles vão pra merda com você só pra te ajudar]

3- O que acha da mulherada?  São bonitas, gostosas e acessíveis?
[você ja viu cidade litorânea sem mulher gata? Ja viu cidade Turística sem mulher gata? É claro que são maravilhosas… leia alguns posts aqui que você vai entender melhor, procure o dia do orgasmo]

4- A cidade é muito violenta?
[Meu, tu mora em Sampa meu, mais violento que ai acho que não tem não… rs.. Falando sério, cara, Salvador é violenta como qualquer outra grande metrópole, claro que não muitos assaltos em sinal de transito (raros até), mas a violência impera na rua mesmo, não tanto quanto Sampa e Rio, mas dependendo do lugar onde você esta, nem pense em tirar o celular do bolso, ou muito menos andar em certos lugares depois das 20hs, tirando isso, o grande problema são os assaltos a ônibus, mas quem vem de carro não corre este risco. Mas nada que dê medo de morar aqui não, aqui ainda não aprenderam a assaltar um condominio inteiro.]

5- No geral, você gosta de morar em Salvador? Acha que no nordeste há cidades melhores e mais legais?”
[Bom, deixe-me pensar, eu to aqui a mais de 1 ano, a cada dia descubro algo novo, me surpreendo com a cultura diferenciada, a cerveja é a metade do preço comparado a Bsb ou Sampa, o custo de vida é a metade comparado ao Sudeste e Centro-oeste inteiro, as pessoas são verdadeiras e receptivas, engordei como um boi, a praia é limpa e não é lotada, os surfistas não batem em haulli, pelo contrario, te chamam pra surfar (mas eu ñ surfo pq não sei), tem 3560 lugares para se ir ao final de semana ou qualquer outro dia, ja que na bahia todo dia é dia de festa, é… eu gosto de morar em Salvador sim!
E realmente, no nordeste, tem lugares N vezes melhores que Sampa, Rio, Bsb, Minas, etc… Aqui ainda se vê vegetação, aqui ainda se acredita na palavra do homem, aqui ainda ha respeito com o proximo, aqui meu amigo, é o lugar que eu escolhi pra viver melhor.]

Vendedor oportunista.

1 outubro, 2008


Em um grande shopping de Salvador.

Um amigo me relatou essa história:
“Fui na Zara com um amigo, pois ele queria comprar um sapato, chegando la, o vendedor tenta empurrar pra ele o sapato mais caro da loja, e solta a seguinte pérola frase: “Rapaz, leve logo que esta na promoção viu? Você viu que o dolar subiu? Então, a crise americana ta afetando todos, e amanhã a bolsa vai quebrar outra vez, com isso, o valor desse sapato vai subir muito, porque como ele vem da Espanha, não tem como segurar esse preço pois ele ja vem de la reajustado.”

Me pergunto se a Zara dispõe de troca de estoque diaria, se todo dia tem um TAP lotado ou se é teletransporte.


Eu já defendi aqui que baiano não é preguiçoso, mas tem alguns que quebram minha defesa.

Esta semana, fui ao banco com um amigo, final de expediente, banco quase deserto, todos os 15 caixas automáticos disponíveis, ali, carentes, quase implorando para serem usados, já que no horário comercial aquilo é um inferno, eis que dos 15 caixas, um era para deficiente físico, aquele que é mais embaixo, pra quem ta de cadeira de rodas usar, dai me vem um cidadão, andando perfeitamente, com uma cara de folgado, ele puxa uma cadeira que estava na agencia, e simplesmente senta na frente do caixa especial, agora, pra que?, pra tirar um mero saldo, nem dinheiro o cidadão tirou, pena que eu tava sem bateria no celular… daria uma bela foto.


Pedi a duas pessoas que enviasse cada uma um post para ser publicado aqui no Perdido em Salvador, uma de Brasília e a outra de Salvador, quando ambas perguntam o prazo, tendo eu respondido: “pode ser pra hoje” , tenho as seguintes respostas:
A resposta baiana:
“Pô véi, pode ser amanhã não? Sabe como é ne, todo baiano tem preguiça…rs”
A resposta da brasiliense:
“Putz! Posso deixar pra amanhã? To cheia de trabalho aqui, e também é que eu to numa ressaca maldita, fui pra uma festa ontem…”

Enfim, ficou tudo pra amanhã, (de qualquer forma eu não ia publicar hoje mesmo pois ia revisar antes),

A baiana e sua eterna ressaca…

Abrasiliense e sua eterna ressaca…

Tudo se resume em ressaca.

O mundo ta invertendo… ou como dizem aqui, “se batendo”.

Bom, amanhã, post especial quase confirmado! (se a ressaca deixar… é claro)

Se você também é um(a) perdido(a), mande sua contribuição pra ca, pelo e-mail: blogperdidoemsalvador@gmail.com

Palavrinhas e palavrões

20 agosto, 2008


Com certeza o palavrão mais usado na bahia é o porra, em todas as suas variações para todas as situações, ele dispensa qualquer acanho por parte de quem fala e ainda acompanha varias situações de carinho, como, ”Porra! Eu te amo nêga!”, ou situações financeiras, como, ”Ô disgraça da porra!”. Agora é interessante como os soteropolitanos não tem medo da ”desgraça” (palavra), como nós brasilienses somos condicionados a ter, assim como o porra, a desgraça, aqui sempre pronunciada ”disgraça” ou algumas vezes escrita: disgrassa, é usada em todo tipo de situação, como, ”Disgraça de calor da porra”, ”O negócio dele é fazer disgraça da vida dos outros”, ”Hoje eu to com uma disgraça  de dor de cabeça da porra”, e por ai vai…

O estranho nisso, é que em Salvador, falar que se odeia algo, como, ”odeio acordar cedo”, é dito como errado e agressivo, o significado do ódio aqui é tão forte como a desgraça para nós.

Uma vez, me despedindo de uma mulher que eu ficara, eu falei: ”te adoro viu?”, ela fez uma cara de quem não estava entendendo aquela situação e disse: ”Venha ca, você não acha que ta exagerando não?”, eu quase me sentindo ofendido com a reação dela disse: ”Perai meu, eu não disse que te amo, eu disse que te adoro, que tenho admiração por você, eu não sabia que aqui as pessoas passam quase 2 semanas ficando com a mesma pessoa e nem admiração sentem…”, ela mudando sua feição e entendendo que aquilo era somente um choque de culturas, explicou: ”Ô meu lindo, desculpa, to vendo que o significado da adoração aqui é diferente do seu, aqui quando se diz que adora alguém, é a mesma coisa de quase amá-la, de idolatrar a pessoa, como se ela fosse uma das coisas mais importantes da sua vida…”, e só assim eu fui entender, que em salvador, a desgraça é leve, a porra é palavrinha o ódio é sincero e pesado, e a adoração é eterna e profunda.

Agora, alguém sabe o que é ou o que faz um Bostético?

Chocando.

18 agosto, 2008


É regra pra quem vem de Brasília, ter que mudar todo o guarda roupas a chegar em Salvador, o calor é incomparável e a cultura é totalmente diferente.

Em Brasília eu trabalhava normalmente de Sobretudo, com se fosse um hábito, ou na maioria das vezes de preto, nunca de bermuda, sempre calça e sapato.

Já em Salvador isso é quase impossível de se impor, a começar com o calor que “racha” a cabeça de qualquer um, mas um belo dia, decidi sair de casa com meu velho Sobretudo, pra matar a saudade sabe, até então, eu nunca tinha me arrependido de ter vestido qualquer tipo de roupa, até então…

Na parada de ônibus (ou ponto com é aqui em Salvador) já me senti deslocado, fui encostar em um canto e todo mundo que estava próximo foi para o outro lado, todos olhando de relance para mim; ao chegar o ônibus, entrei normalmente sem o famoso empurra-empurra de sempre, parecia que a morte adentrava aquele coletivo comigo, pois todos olharam com aquele tom fúnebre e suas caras de medo e asco, pelo menos as criancinhas olhavam com admiração ou mera curiosidade, não vou omitir que ja me chamaram de mágico, batman ou mib, por causa desse Sobretudo, a mente livre das crianças não vêem aquilo como uma ameaça, até que, como se fosse de praxe, um menininho de mais ou menos 6 anos que estava um banco atrás de mim, me puxa e pergunta: “Ô moçú! Cê é mágico é?”, e antes que eu pensasse em responder, a mãe dele olhando feio pra minha cara, o puxa e diz para ele ficar quieto, e que ele não podia ficar falando com demônios na rua (essa foi a segunda vez que descobri o quanto eu tenho calma), po, demônio?! Interessante, eu não sabia que um Sobretudo dava esse status negativo, ao ponto de ser classificado como um demônio, mas não acabou por ai não, eu desci do ônibus e segui meu caminho, morrendo de vontade de rir da cara das pessoas que passavam por mim, ou melhor, que davam voltar para não passar por mim, pela primeira vez me senti bem em estar solitário, pois achei interessante toda aquela reação, nem a policia olhava na minha cara, e eu nunca vou esquecer, o tom acuado que o cobrador respondeu o meu “boa noite” quando eu entrei no ônibus de volta pra casa, muito interessante essa diferença cultural, exótica e chocante, chocante pra eles é claro.

(Isso me lembrou uma época em Brasília, que quando um Punk entrava no ônibus, todos faziam a mesma cara e ficava o mesmo tom fúnebre dentro do coletivo.)

Hospitalidade tem preço.

11 agosto, 2008


Quem disse que a hospitalidade dos baianos é degraça?
Acostumado com os preços de Brasília, ao sentar em uma barraca de praia em Salvador, pedir uma cerveja e pagar somente R$1,80 por ela “não tem preço”, é quando você pensa: “essa vista maravilhosa e a cerveja a metade do preço dos botecos de Brasília vai me deixar bêbado, eu quero ficar bêbado”, mas isso só aconteceu comigo pois não fui eu quem pedi a cerveja, e sim meu padrasto, um nativo com sotaque e cara de Sotéropolitano, logo não aguentei e comentei com ele o valor tão “simbolico” pago pela cerveja, e ele disse nun tom de sarcasmo: “amanhã vamo pa outra praia e cê pede a cerveja, eu quero é prova de que vai ser esse preço” . Dito e feito.

No dia seguinte, fomos a outra praia, não muito longe da que fomos na tarde anterior, chegamos, e eu abri a boca:

– Boa tarde! Tem Skin?
(ela assinala com a cabeça)
– Quanto custa?
– R$3,50.
– Pô! Na praia ali do lado é R$1,80!
– Oxi! To sabenu disso não senhô, na minha barraca sempre foi esse preço e nunca ouvi recramação.
(meu padrasto interrompe.)
– Colé mãe! Ta me achando com cara de turista é? Ó paí! Ta querênu me robá é? Se fizé até R$2,00 eu pago, se não agente levanta.

Ela vira as costas e vai buscar a cerveja. Incrível! Se eu estivesse sozinho ia pagar o preço de uma Bohemia em Brasília, só pelo meu sotaque de turista e minha cara perdido.

Depois disso fui testanto em outros lugares, a cocada que custa de R$0,50 a R$1,00, pra mim era oferecida a R$2,00, o acarajé de R$2,00 pra mim era R$5,00, até a Coca-cola ficou absurdamente cara pelo meu sotaque.

Agora pagar barato tem outro preço, depois da primeira, a segunda vai demorar anos pra chegar, a ponto de você ter de levantar e ir buscar, ou então reze pra não haver nenhum turista na mesma barraca que você, o atendimento dele é preferencial, o seu não faz a minima diferença pra eles.

E lá estava eu, roubado perdido em Salvador…

Tratamento.

4 agosto, 2008


Imagine-se andando na rua, uma pessoa que você conheceu na festa da semana passada te para e GRITA: “Diga aê, disgraça! Colé de mêrmo?” Ai você assustado com o tratamento maravilhoso e com a mente em pane tentando entender que porra é “colé de mêrmo”, responde com uma pergunta: “Beleza?”, dai sem te responder ele continua gritando: “E ai? Bó pu regui comê água negão?”, você ja arrependido de ter saido de casa e encontrado esse Brau na rua, vira e responde: “Cara, eu não curto reegae não”, ai ele continua berrando: “Ó paí! Tá me comediando é? Cê tava nu regui semana passada agora vem mi dizê que nun curti?! Se Plante vá!, já que cê ta me tirano de otario eu vô ali quexá uma pirigueti”. E enfim você da graças a Deus do ônibus ter chego, sobe correndo e anota tudo no celular pra quando chegar em casa, perguntar para alguem o que esse Mala tava querendo dizer, e só depois, você se da conta que o mal educado da história foi você, e não ele que só tava te convidando pra uma balada como se você ja fosse intimo.

Coisas da Bahia, mãe das girias…

Sexta!

1 agosto, 2008


Sabem como é,
estou na Bahia
hoje foi dia de correria
e agora só me resta aquela cervejinha
E é claro que não vou pra casa de carro:

Eu… o ônibus… a cerveja… a blitz… tchau blitz!!!

Dia mundial do orgasmo

31 julho, 2008


Sendo hoje o dia mundial da gozada do orgasmo, nada melhor do que abordar sobre o assunto, mesmo que  zilhões de outros assuntem a mesma coisa hoje.

Como nosso amigo do PCC disse hoje: “precisa de um dia pra isso?”, aqui em Salvador, NÃO PRECISA!

De todos os estados, por relatos e experiência própria, não existe mulher mais quente no Brasil, do que as baianas, tipo a resposta pra “O quê que a baiana tem…”, só que em um tom mais adulto e sincero.

Vários preceitos que rondam a sociedade são quebrados aqui em sua grande maioria, como o sexo no primeiro encontro por exemplo ou as brincadeiras nos cantos escondidos da cidade, assim como não é só papel do homem convidar uma mulher a um motel, mas sim de ambos, toma aqui a iniciativa quem está com mais vontade, com mais fogo.

Mas em diferença a tantas outras, como as brasilienses que fazem tanto charme para ir pra cama a ponto de segurar o cara por uma semana mesmo estando “a perigo” por frescura pura, as baianas não perdem tempo, ja que a vida é agora.

Sem contar o incentivo, que é de praxe se ver um motel em cima de um boteco, principalmente em tempos de lei seca, essa é uma ótima entrada saída.

E ainda os inúmeros casos de Ricardões, ja que a cultura baiana, reza que o marido corno não faz nada contra sua mulher, e sim mata o amante (não to brincando) e continua com a mulher, que um tempo depois vai arrumar outro amante isso se não tiver.

Então resumindo, na Bahia, não existe dia do orgasmo, e sim Milênio do Orgasmo!

“Porque sentir prazer, tem que ser todo dia, por toda a vida!”

Perdido e sozinho

29 julho, 2008


A mais de um ano em Salvador, ja conheci vários outros perdidos e perdidas, do sul, sudeste, norte e centro oeste, mas nem de longe achei alguém de Brasília, pra não dizer nunca, houve uma pessoa que também veio de Brasília se perder em Salvador, mas essa não durou nem 1 ano e logo retornou pra Capital.

Talvez isso encaixe na maior diferença que um brasiliense tem ao resto do pais, normalmente o nordestino ou também o paulista, são bairristas e amam sua cidade e seu povo, o brasiliense não, nós somos eternos apaixonados por Brasília, e nem sempre pelo nosso povo, alias, que se fere o povo nunca pelo nosso povo.

Não só a cordialidade nos falta, mas na realidade simplesmente não nos importamos mais por alguém só pelo simples fato dessa pessoa ter nascido no mesmo solo que nós (“não pedi pra nascer ali, e nem você, então se achas que irei fazer mais por você do que por outra pessoa por isso, azar o teu amigo, porque eu não vou fazer nada”).

Mas o que mais pode espantar um brasiliense de Salvador, é o trauma! Isso mesmo, o maldito trauma.

Por termos a triste cultura de não confiar em ninguém (inclusive aquele vizinho com cara de bonzinho e mais de 60 anos que nos viu crescer), dá medo toda essa cordialidade e humildade Sotéropolitana, em Brasília aprendemos desde cedo que quem estende a mão quer algo em troca, e que por trais de um sorriso caridoso, pode se esconder um monstro impetuoso.

É… perdido e sozinho, e ao mesmo tempo sob a melhor companhia que o brasil pode oferecer, a companhia dos baianos, a companhia dos cordiais Sotéropolitanos.

Garra.

24 julho, 2008


Após a saída do velho cansado, sobe ao onibus outra figura do cotidiano, mas uma figura nova, um cego, mas ele não está lá para pedir dinheiro, nem menos acompanhado de alguém, e sim somente ele, com seu óculos, uma bengala branca e uma mochila vertical, ele usa seu tato para se acomodar em algum lugar onde não caia com a arrancada do cavalo que parece carregar pacotes de carne motorista, e anuncia que está vendendo canetas com calendário, mas o fez normalmente, sem dizer em momento algum que é cego, que passa dificuldades por isso ou que tem de ser ajudado para sobreviver, ele simplesmente anunciou seu produto, disse o preço, e pediu que quem se interessasse o chamasse que ele iria até a pessoa, e ele realmente era cego, pois o óculos estava desencaixado, e deu pra ver o que seriam os olhos (quase sem a retina) dele.

Depois da cena reflexiva do velho cansado, mais uma cena que nos faz parar e pensar por muito tempo, sobre a força de vontade e a garra das pessoas, sobre a limitação que muitas vezes impomos a nós mesmos, para disfarçar nossa preguiça ou o medo de olhar a vida de frente sem medo (como algumas pessoas tem esse medo).

É… hoje é dia dos “tapas na cara” que a vida dá.

Cansaço.

24 julho, 2008


Todos os dias, no mesmo horário de sempre (durante as duas horas de engarrafamento de sempre), entra o velho baleiro de sempre, um senhor de 60 anos, com um óculos no final do nariz, com cara de revoltado, que sempre usa como abordagem para vender suas balas de menta sua carteira de trabalho, e explica que trabalhava com construções, e que ficou velho, e o mandaram embora pois a idade não o deixava trabalhar com a mesma velocidade de antes e sim com vários riscos, e diz ele que aquela foi a unica forma que encontrou para sustentar sua familia, só que hoje, ele fez diferente, subiu ao ônibus com cara de cansado, de quem tá pra passar mal, e com uma voz cansada ele diz: “Bom dia! Todos aqui ja me conhecem (levantou e balançou a sua velha carteira de trabalho), venho aqui pedir que alguém compre ao menos uma balinha, que custa 10 centavos, pois até agora não consegui vender nada, e nem café da manhã tomei, ja não estou me sentindo bem e só peço que comprem ao menos bala uma pelo amor de Deus.”

E isso não era a nova estratégia de venda dele, realmente dava pra ver na cara que ele não estava bem, não era aquela pessoa indignada com a vida por não conseguir mais emprego, e sim um senhor cansado e com fome, apelando para conseguir ao menos tomar um café da manhã! (ver isso dói na alma.)

Ao passar do tempo agente acostuma a ver esse povo sorrindo, e se esquece da verdadeira face do sofrimento, não a dissimulada que vários usam para ganhar dinheiro sem fazer nada e explorar a boa vontade dos pobres samaritanos, e sim a espontânea, e isso é capaz de chocar e nos fazer parar e refletir, que um dia, ficaremos velhos, e se não cuidarmos do agora para garantir o amanhã, podemos nos tornar o vendedor de bala revoltado com o sistema que tristemente tá pra passar fome.


Ta ai um grande problema de Salvador, transito, da pra comparar com Sampa a 5 anos atrás, ontem peguei mais um engarrafamento infernal, horas e horas quase parado, pensando que se eu comprasse uma bicicleta seria melhor, além de mais saudavel e econômico, mas ao menos esse engarrafamento teve motivo, manifestação em outra via (Salvador tem duas vias principais, orla e Av. Paralela), mas acontece que além de chato, ficar horas e horas parado no transito, também fiquei parado atoa.

Notei logo que Salvador tem muitas manifestações, todas na hora do rush, e sempre no lugar mais movimentado da cidade, mas tudo isso, é feito só pra atrapalhar, não digo isso porque de uma hora para outra fiquei contra manifestações, quem sou eu pra adotar uma posição destas? O congresso nacional que me entregue caso algum dia eu decida adotar um absurdo destes, mas digo que essas manifestações só atrapalham, pois como se fosse um boicote, a maioria dos veículos de comunicação dificilmente noticiam o motivo da manifestação, somente informam quem teve manifestação em tal lugar, que deixou o transito lento (e eu puto da vida) e só.

E na outra semana mais uma manifestação por alguma causa popular que vai parar a cidade e ninguém vai saber porque.

E é nessas horas, que entram em cena os carinhas agentes da SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego mais conhecida como Serviço de Engarrafamento de Transito), que ao invés de dissipar o tráfego, consegue piorar mais ainda a situação, eu achava que nada era pior que uma blitz do Detran, mas a SET consegue ultrapassar qualquer nível de incompetência imaginavel, mas ao menos isso, tem uma razão, Salvador mal tem vias novas (refiro-me a novo, qualquer coisa que não tenha sido construída pelos portugueses), além do diretor da SET ser mineiro e só ter vindo morar em Salvador para ocupar o cargo (ou seja, conhece menos de Salvador do que eu), depois desse ano morando aqui, eu aprendi que nunca mais, devo dizer que todo goiano é barbeiro, porque ao lado de um baiano meu amigo, um goiano é o Rubinho e o baiano é a tiazinha de 70 anos cega de uma vista e com mal de parkinson num Fiat 147, sem contar a buzina, o povo aqui adora mostrar que tem buzina, 10km de engarrafamento e o cara que acabou de entrar na fila interminável de carros ja ta buzinando, como se fosse adiantar alguma coisa, como se buzina fosse sirene e todos fossem sair da frente, do apressadinho que consegue fazer o carro berrar mais que uma histérica mulher de tmp.


Lembram do encontro que não aconteceu devido a agilidade do transporte publico? Pois bem, isso ainda me rendeu mais alguns cabelos brancos e um dia de raiva.

Depois de conversas e mais conversas duas semanas de ladainhas com a B. (a mulher que eu havia falado), ela pareceu ter acreditado que eu realmente fiquei “preso” naquele ônibus e que não dei um bolo de propósito e sim acidental, re-marcamos no mesmo maldito lugar, só que em um domingo, onde a proposta que ela fazia, era irmos a um churrasco e depois “inventarmos alguma coisa” (vocês sabem bem o que eu tava pensando em inventar ne), marcamos as 11 horas, dessa vez eu ja tava traumatizado, então fui de carro, cheguei com mais de meia hora de antecedência, e ao badalar das 11 horas, liguei pra ela para explicar o ponto exato que eu estava, roupa, etc…

“12 horas e nada! Meu deus do céu! Cadê essa mulher?”, pensava eu, ja sem reação com tanta puta derrubada garota de programa que habita todo o Centro Histórico me oferecendo sexo e drogas, praticamente uma mais derrubada que a outra a cada 5 minutos (ter cara de turista é uma droga, garota de programa na bahia não pode ver um turista que parece um tarado num concurso pornô.), e eis a hora que eu me fodo me ferro, começo a ligar pra ela, e advinham? Ninguém atende! Tanto do meu celular, quanto de todos os 12 orelhões e do Voip da Lan House de lá.

“Putz! Maravilha de troco! Mal cheguei e ja to apanhando! Será que eu nunca vou tomar vergonha na cara e parar de acreditar em perdão?”

E assim fui eu, puto da vida, ainda por burrice esperar mais uma hora, e ligar, ligar, ligar e ligar, até o dedo doer, e enfim tomo vergonha na cara e me lembro que ainda existia amor próprio e fui embora.

Mas ao chegar em casa, advinham quem estava no msn?

Continua…

FraZe do dia.

16 julho, 2008


“Eles tem mais é que se lenhá! Eles tão pagando pelo que eles FEZ!

(Difícil é aceitar tal frase vinda de um cara de terno dentro de um Golf.)

Como dizia Vavá: “Salvem a Professorinha!”


É fato que a felicidade reina nessa terra chama Salvador, e que todo esse tom histórico remete um certo romantismo pelo charme embutido nas velhas edificações da cidade e seus bares lotados de amantes da mais pura sedução.

Mas falta algo muito importante nos baianos (homens), que elas sentem uma falta extrema, a ponto de enlouquecerem com um simples turista, elas sentem falta de carinho, esse ato tão comum em outras culturas, que em Brasília por exemplo é tão normal quanto se dar um “Oi” , que é capaz de amolecer a mais chata enfurecida das mulheres, com o mais alto nível de testosterona (TPM), aqui é extremamente raro ver casais se acariciando, nem que seja uma mulher com a cabeça encostada ao ombro de seu amante e ele acariciando sua face ou seu cabelo, é mais fácil achar dinheiro na rua do que presenciar uma cena destas, mas a reclamação delas não é só quanto a demonstração de afeto em publico, mas em geral, tanto na rua como na cama em casa, eles deixam bem claro que só querem sexo, e isso estende-se a um dos maiores contradizeres dos Soteropolitanos, a cordialidade que eles exercem ao desconhecido, deixam de exercer à companheira, ao ponto de se presenciar a seguinte cena: um casal sai do supermercado, ela carregando sacolas e mais sacolas e ele uma caixa de cerveja e um saquinho com verduras (pra não dizer que não esta carregando nada), como se aquela fosse um objeto, e se por ventura vierem a se casar, ela não deixará de ser um objeto para ele, e sim é ai que as coisas irão piorar, “esqueceram de incluir o carinho e o respeito na colonização de Salvador”, porque se não bastasse a falta de carinho, falta o respeito que acaba sendo uma troca (ou a falta dela) mútua, sendo a poligamia um ato normal na vida dessas pessoas, mas não achem que um homem em Salvador trai sua mulher por “algo ou alguém melhor”, e sim por qualquer “coisa” que esteja acessível naquele momento.

Assim como, em mais de 1 ano de Salvador, ainda não conheci ou vi uma baiana que seja meiga, porque de que adianta para elas fazer cara de cachorro que caiu da mudança no meio do temporal tipo de mulher carente se ela não vai receber carinho de ninguém, falta carinho e respeito com quem esta lá, do lado deles, suas companheiras, que lutam assim como eles todos os dias, e mesmo assim, sempre sorrindo.

Salvador, terra da felicidade!
Mas é só felicidade sem carinho viu?

Festas.

14 julho, 2008


Ainda não tomei conhecimento de terra com mais feriados e motivos mais esdrúxulos possíveis para se festejar do que em Salvador.

Talvez seja essa a tomada que recarrega o bom humor desse povo, pois se uma folha cai no chão, ja pode virar motivo para festa, que na maioria das vezes, é absurdamente carinhosamente batizada de lavagem.

Quando conheci a famosa igreja do Bonfim, logo pasmei, não consegui naquele instante entender porque alguém levaria o dia todo para lavar aquelas escadinhas, vendo na televisão, imaginamos uma escadaria sem fim (como a escadaria da Penha no Rio), mas na realidade, são meros lances de escada, chega imaginei uma pessoa com uma escovinha de dentes na mão pra lavar aquilo, ai sim levaria um dia todo pra isso.

Mas o que a televisão não mostra, é a festa que rola em torno da escada, ficando a escada somente como desculpa pra festa, antes de vir a Salvador, achava eu que essa era a unica “lavagem” daqui, mas estava errado, até aonde não se tem o que lavar, se inventa uma lavagem, lavagem da casa de Fulando, do caro de Ciclano…

Tanto no Carnaval como no São João, a cidade para, pessoas chegam ao absurdo de pedir demissão de empresas mesmo estando em um cargo promissor ou cobiçado, caso a empresa não dê o recesso (que é de uma semana), escolas fechadas, férias quase forçadas, aquela metrópole agitada, engarrafada todos os dias, vive assim uma semana de solidão durante o São João, e uma semana de farras mijo, sujeira, violência, abusos no Carnaval.

E ta ai outra coisa que a televisão não mostra, a violência do carnaval de Salvador, e essa violência é gerada pela policia em sua maioria, o que chama mais atenção, é uma linha, “desenhada” no circuito do carnaval, de passeio e uso exclusivo da policia, se você se quer pisar nessa linha, seja você, branco, negro, japa, mulher, eunuco, albino, grávida, gringo, com certeza você vai apanhar, e é melhor apanhar calado, se não vai preso, então nem no carnaval tão prestigiado, em Salvador você esta a salvo.

É por essas, outras, algumas e mais outras que eu amo ficar em casa.

Contrastes.

11 julho, 2008


Como disse antes, vida de turista é comparada ao paraíso totalmente diferente habitante.

Quando se vem à Salvador como turista, você só vai aos melhores lugares mesmo que não pareça, faz todos os tours quase que obrigatórios e só enxerga beleza, arte e história por todos os lados, mas quando se decide mudar pra cá, você se assusta descobre o outro lado da moeda.

Que mais uma verdade seja dita, Salvador é uma das cidades mais lindas do país, com tanto que você não olhe para cima, não suba ladeiras e nem menos se aventure no Pelourinho.

Estava-mos de carro em um sábado, procurando um endereço no famoso bairro de Itapuã, que diga-se de passagem não tem nada demais, alias, tem casa feia demais, violência demais, buracos, botecos a não ser que você esteja acima do 4 andar em algum hotel, ai sim você vai perceber porque Vinicius amava esse bairro (a vista do mar de Itapuã contrasta totalmente com o resto, então se não for apreciada de cima, sozinha, nem se percebe que aquele é um dos cartões postais mais belos que você pode ver na vida), de ruas em ruas, entramos em uma que nos fez esquecer que estavamos até no Brasil de tão diferente que era, com estilo europeu, natureza equilibrada com cidade, muros e concreto (breve posto a foto aqui), imediatamente reduzimos para 0,5km por hora, porque ficamos em choque com tamanha beleza para contemplar tudo aquilo, pela primeira vez na minha vida senti extrema vontade de morar em algum lugar acima de qualquer coisa, mas tudo tem fim, inclusive a rua, então ainda estupefatos entramos na próxima rua, bem vindo a favela da Rocinha! Essa é placa que faltou lá, o contraste foi imenso, dando até vontade de dar ré e voltar para imediatamente a rua “perfeita” , das casas arborizadas a falta de reboco da outra rua, dos quintais que remetem a mais perfeita calma as casas erguidas ocupando o maior espaço possível, só o reboco, lajes tortas de 3 andares, para o máximo de pessoas possíveis, a rua pobre atrás da rua rica, nobreza e plebe lado a lado, da calma e cheiro suave a poluição sonora, visual e esgoto a céu aberto, sem contar as placas ou seria mais apropriado “as pRaca”? em portões enferrujados, com um português meio árabe de tantos erros, como “temo chis tudu” ou “Jesus te amaR”, e isso é só um exemplo rápido do que se sofre com a dor nos olhos que isso causa vê por aqui (essa parte também vou postar em breve com fotos), e em meio a tudo isso, duas coisas me chamaram atenção, uma faixa de 3 metros em letras vermelhas: “LAVA LENTO” , e mais a frente, no unico espaço verde da rua feia, uma placa escrita “não joGe lixo seu” e um porco desenhado no final; é, nem em meio a tantas dificuldades, esse povo não perde o humor.

Salvador morre nas ladeiras, ao subir uma você pode além de ser assaltado, entrar na boca mais perigosa se perder, se chocar com o contraste, sem aviso prévio, hora você baba com a arquitetura histórica ou os novos prédios, hora você tapa os olhos para não ver a falta de cuidado que tiveram com a cidade ou a falta de senso visual da população. É o mais completo contraste, Por todos os lados, em todos os bairros.


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”


Após uma semana de correrias em Brasília, para arrumar a casa antes de dar adeus às minhas manias locais, finalmente retornei para Salvador em definitivo, e como uma regra, deixando de ser turista, comecei a sofrer automaticamente os problemas da cidade, de primeira peguei um engarrafamento ao sair do aeroporto por nenhum motivo aparente, e sofri mais ainda por estabelecer a meta de ficar no máximo 3 meses encostado hospedado na casa da minha mãe, eu tinha que aprender com urgência a andar sozinho em Salvador.

Mas pra quem estava acostumado com uma cidade plana, onde as placas de transito não mentem (saibam que em Salvador a 45km de Itapuã tem uma placa sinalizando o caminho junto ao nome de outro bairro que fica a 2km), onde um ônibus para um destino vai pegar a via mais rápida para o mesmo e que o povo simplesmente sente prazer em dar informação errada (é, candangos em sua maioria são mal educados, ja o povo baiano é 100% prestativo, salvo na hora do almoço e na hora de “batê o baba” *¹), não seria nada fácil se virar nessa cidade gigantesca, onde uma ladeira errada te leva a boca mais quente da cidade ao lugar mais distante do mundo, onde você não tem ponto de referencia norte-sul, e principalmente, quando você tem trauma de pedir informações. Mas independente disso, eu teria que dar um jeito.

Aproveitando que a um ano eu conversava com uma mulher de Salvador, achei perfeita a oportunidade de conhece-la pessoalmente e unir ao util de sair sozinho, sem meu guia turístico padrasto e assim começar a me virar e talvez fechar com chave de ouro minha dor de cotovelo que me levou a Salvador.

Marcamos de nos encontrar no Centro Histórico as 14 horas, de carro com o motorista meu padrasto, o trajeto levava 44 minutos sem engarrafamento, como eu ia de ônibus, achei que em 1:30h daria tempo de sobra, então sai de casa com 2 horas de antecedência, na minha cabeça havia tempo para perder 2 ônibus e ainda parar pra tomar uma cerveja, logo ao subir no onibus me deparei com a primeira do dia, estava eu sentado quando me chega um cara, senta, e solta a pérola: “e ai mô pai, beleza?” , Pai?!, pelo menos essa foi rápido pra decifrar, aqui todo mundo é “pai”, “viado” ou “negão”, mesmo se você estiver em um encontro de eunucos albinos heterossexuais e berrar um dos três nomes todos vão olhar procurando algum conhecido, mas no segundo em que minha mente ainda não tinha assimilado aquilo, pela segunda vez me senti velho, ou acabado no caso.

Continua no próximo post.