Migrando e apanhando (Parte 2).

10 julho, 2008


(Parte 1aqui.)

Como foi bom ser turista! Era só isso que eu pensava naquele ônibus.

Além do choque cultural, comecei a realmente sofrer naquele coletivo, já se passavam 1:30h de viajem, em meio a uma chuva repentina, engarrafamento, buzinas, buzinas e mais buzinas, o pior é que eu não fazia idéia de quão longe eu estava do destino, a não ser pelas placas de sinalização com a quilometragem escrita, mas logo vi que não me adiantava de nada elas estarem lá, porque o ônibus começou a dar voltas e mais voltas, eu passava por uma placa que sinalizava 17km de até o Centro Histórico, e meia hora depois passava por outra que apontava 15km (eu deveria ter ido de bicicleta), isso quando não via a mesma placa de 10 em 10 minutos, e lá estava eu, preso no ônibus, sem crédito para avisar do meu atraso, e com receio em descer para ligar e simplesmente esperar horas para pegar outro ônibus, sem contar a maldita esperança (que infelizmente é a ultima que morre) de chegar logo ao destino, então só me restava esperar.

No meio de todo esse caminho, já havia entrado 11 (onze) ambulantes, vendendo quase todo tipo de coisa e não só doces e afins, foi ai que comecei a notar o quanto o povo baiano é trabalhador, que essa lenda de preguiçoso não passava de mito, além do dialeto que em momento algum foi lento salvo a galera do fuminho e nem menos ouvi um “Oh meu Rei” se quer, vi também em meio a chuva, homens carregando botijões de gás em bicicletas e em carros de mão, ralando para conseguir o sustendo de sua familia, sem se importar com aquela chuva e com uma cara de quem estava feliz em fazer aquilo, sempre alegres, o mundo ta acabando, mas o povo baiano sempre será alegre.

Nessa hora chega bateu aquele arrependimento por ter prejulgado esse povo, devido a criação que tive, de que baiano é sempre lerdo e preguiçoso, sempre sinônimo de falta de interesse pela vida, falta de ação ou reação, quando que em Brasília você vai ver alguém trabalhando na chuva? E com um sorriso??? Simplesmente nunca! Além de ser extremamente raro de ver alguém trabalhando no chuva, se houver, com certeza esse terá cara de psicopata, e não estará nem um pouco perto da felicidade.

Agora verdade seja dita, o que o povo baiano tem de ativo, tem de festeiro, mas essa é outra história que conto depois.

Ah! E sobre o meu encontro, dei um bolo acidental na pessoa, demorei 3:30h (isso mesmo! três horas e meia!) para chegar no Centro Histórico, e com certeza ela não estava mais lá, ainda pra amortizar o peso na consciência, a procurei por um tempo, mas não encontrei ninguém, e como toda mulher puta da vida que leva um bolo, ela não me atendeu naquele dia, acho que ela não atendeu ninguém porque troquei de numero umas 4 vezes e nada, quando retornei pra casa, havia um scrap curto e grosso dela: “MUITO OBRIGADO PELA TARDE MARAVILHOSA QUE EU TIVE!”

3 Respostas to “Migrando e apanhando (Parte 2).”

  1. Amor e psiquê said

    Nossa! O engraçado foi vc ter continuado no ônibus mesmo sabendo q n iria encontrar a tal mulher no encontro, realmente ESPERANÇA é uma desgraça!kkkkkkkkkkkkkkkkk

  2. Larissa said

    Muito bem.
    Finalmente alguém que descobre mais uma lenda desse país…
    Que bom viu! Não sei de onde essa fama saiu, mas fico feliz em saber que mais pessoas tenham essa consciência de que preguiçoso mesmo é quem aceita esse tipo de interpretação e estereótipo de um povo que mal ou nem conhece.
    Bom, quanto ao bolo… que bolo né! Mas poh, não tinha nem o que fazer mais. A esperança falhou dessa vez. Pelo menos você aprendeu a não confiar nessa placas loucas daqui. Eu mesma não consigo engolir aquela placa próxima ao aeroporto indicado o caminho do centro histórico… como se fosse bem alí bem perto, sendo que o Pelô tá alí… no outro extremo da cidade. Pegadinha total!
    Abraço.. tou gostando de ver e ler o blog.

  3. […] Julho, 2008 Lembram do encontro que não aconteceu devido a agilidade do transporte publico? Pois bem, isso ainda me rendeu mais alguns cabelos brancos e um dia de […]

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