Palavrinhas e palavrões

20 Agosto, 2008

Com certeza o palavrão mais usado na bahia é o porra, em todas as suas variações para todas as situações, ele dispensa qualquer acanho por parte de quem fala e ainda acompanha varias situações de carinho, como, ”Porra! Eu te amo nêga!”, ou situações financeiras, como, ”Ô disgraça da porra!”. Agora é interessante como os soteropolitanos não tem medo da ”desgraça” (palavra), como nós brasilienses somos condicionados a ter, assim como o porra, a desgraça, aqui sempre pronunciada ”disgraça” ou algumas vezes escrita: disgrassa, é usada em todo tipo de situação, como, ”Disgraça de calor da porra”, ”O negócio dele é fazer disgraça da vida dos outros”, ”Hoje eu to com uma disgraça  de dor de cabeça da porra”, e por ai vai…

O estranho nisso, é que em Salvador, falar que se odeia algo, como, ”odeio acordar cedo”, é dito como errado e agressivo, o significado do ódio aqui é tão forte como a desgraça para nós.

Uma vez, me despedindo de uma mulher que eu ficara, eu falei: ”te adoro viu?”, ela fez uma cara de quem não estava entendendo aquela situação e disse: ”Venha ca, você não acha que ta exagerando não?”, eu quase me sentindo ofendido com a reação dela disse: ”Perai meu, eu não disse que te amo, eu disse que te adoro, que tenho admiração por você, eu não sabia que aqui as pessoas passam quase 2 semanas ficando com a mesma pessoa e nem admiração sentem…”, ela mudando sua feição e entendendo que aquilo era somente um choque de culturas, explicou: ”Ô meu lindo, desculpa, to vendo que o significado da adoração aqui é diferente do seu, aqui quando se diz que adora alguém, é a mesma coisa de quase amá-la, de idolatrar a pessoa, como se ela fosse uma das coisas mais importantes da sua vida…”, e só assim eu fui entender, que em salvador, a desgraça é leve, a porra é palavrinha o ódio é sincero e pesado, e a adoração é eterna e profunda.

Agora, alguém sabe o que é ou o que faz um Bostético?


Chocando.

18 Agosto, 2008

É regra pra quem vem de Brasília, ter que mudar todo o guarda roupas a chegar em Salvador, o calor é incomparável e a cultura é totalmente diferente.

Em Brasília eu trabalhava normalmente de Sobretudo, com se fosse um hábito, ou na maioria das vezes de preto, nunca de bermuda, sempre calça e sapato.

Já em Salvador isso é quase impossível de se impor, a começar com o calor que “racha” a cabeça de qualquer um, mas um belo dia, decidi sair de casa com meu velho Sobretudo, pra matar a saudade sabe, até então, eu nunca tinha me arrependido de ter vestido qualquer tipo de roupa, até então…

Na parada de ônibus (ou ponto com é aqui em Salvador) já me senti deslocado, fui encostar em um canto e todo mundo que estava próximo foi para o outro lado, todos olhando de relance para mim; ao chegar o ônibus, entrei normalmente sem o famoso empurra-empurra de sempre, parecia que a morte adentrava aquele coletivo comigo, pois todos olharam com aquele tom fúnebre e suas caras de medo e asco, pelo menos as criancinhas olhavam com admiração ou mera curiosidade, não vou omitir que ja me chamaram de mágico, batman ou mib, por causa desse Sobretudo, a mente livre das crianças não vêem aquilo como uma ameaça, até que, como se fosse de praxe, um menininho de mais ou menos 6 anos que estava um banco atrás de mim, me puxa e pergunta: “Ô moçú! Cê é mágico é?”, e antes que eu pensasse em responder, a mãe dele olhando feio pra minha cara, o puxa e diz para ele ficar quieto, e que ele não podia ficar falando com demônios na rua (essa foi a segunda vez que descobri o quanto eu tenho calma), po, demônio?! Interessante, eu não sabia que um Sobretudo dava esse status negativo, ao ponto de ser classificado como um demônio, mas não acabou por ai não, eu desci do ônibus e segui meu caminho, morrendo de vontade de rir da cara das pessoas que passavam por mim, ou melhor, que davam voltar para não passar por mim, pela primeira vez me senti bem em estar solitário, pois achei interessante toda aquela reação, nem a policia olhava na minha cara, e eu nunca vou esquecer, o tom acuado que o cobrador respondeu o meu “boa noite” quando eu entrei no ônibus de volta pra casa, muito interessante essa diferença cultural, exótica e chocante, chocante pra eles é claro.

(Isso me lembrou uma época em Brasília, que quando um Punk entrava no ônibus, todos faziam a mesma cara e ficava o mesmo tom fúnebre dentro do coletivo.)


Comodismo e esquecimento.

18 Agosto, 2008

Primeiramente peço desculpas por ter descuidado “disso” aqui… mas… correria é isso ai… triste de quem acha que aqui tudo é pro ano que vem, porque na realidade é pra ontem semana que vem.

Já falei aqui antes que baiano não é moroso como se é dito em todo o país, mas é claro que tem alguns pontos de comodismo preguiça algumas vezes. Como esperar 1 dia inteiro pra receber um orçamento de um serviço simples, ou então o fechamento da maioria do comércio (isso mesmo, de padarias, mercadinhos e até farmácias) na hora do almoço ou em feriados, não só para se alimentar, mas pra tirar o bom e velho cochilo (que não é em rede) de uma hora e meia.

A algum tempo joguei esse assunto em uma roda de discussão, tentando comparar principalmente a parte de serviços e atendimento (diga-se de passagem, péssimo na maioria das vezes) entre Salvador e outras grandes metrópoles como São Paulo ou até Brasília que nem é tão grande assim. E a reação bairrista foi logo esboçada pelos meus colegas Sotéropolitanos, defenderam sua cultura com o seguinte mandamento: “Se é pra amanhã, eu vou fazer outra coisa hoje.” Mas no quesito atendimento nada disseram e sim alguns concordaram que muitas vezes deixa a desejar.

Ainda assim, existe um problema social por trás disso tudo, as pessoas em Salvador reclamam da falta de oportunidade de emprego, e eu estranhando isso ja que Salvador abriga muitas empresas e indústrias, me deparei com o maior problema dessa cidade, a educação em si, vi algumas pesquisas e assustado descobri que existem sim várias vagas de emprego, só que elas simplesmente não são preenchidas, não só por falta de especialização, mas principalmente por falta de conhecimento em português básico e tratamento de pessoas, não só em concursos (que não são tão frequentes como em Brasília) mas principalmente em empresas de médio porte, forçando assim as microempresas a contratarem quem “sobra” no mercado mesmo sem um português ideal para um médio atendimento ou convívio com clientes, sendo assim, normal estar ao telefone com uma orçamentista que no final da ligação vai soltar: “Então tá, beijão negão!”, sendo aquela a primeira vez que você entra em contato, e ainda receber um e-mail formal com mais erros de português do que a redação de férias de um menino da primeira série.

Só aqui fui enxergar de uma vez que o português (matéria escolar), mesmo com suas “frescuras”, é o mais importante estudo em seu todo, sorte a minha vir de um estado que tem uma ótima educação e que não foi largado pelo gorverno nesse quesito.


Hospitalidade tem preço.

11 Agosto, 2008

Quem disse que a hospitalidade dos baianos é degraça?
Acostumado com os preços de Brasília, ao sentar em uma barraca de praia em Salvador, pedir uma cerveja e pagar somente R$1,80 por ela “não tem preço”, é quando você pensa: “essa vista maravilhosa e a cerveja a metade do preço dos botecos de Brasília vai me deixar bêbado, eu quero ficar bêbado”, mas isso só aconteceu comigo pois não fui eu quem pedi a cerveja, e sim meu padrasto, um nativo com sotaque e cara de Sotéropolitano, logo não aguentei e comentei com ele o valor tão “simbolico” pago pela cerveja, e ele disse nun tom de sarcasmo: “amanhã vamo pa outra praia e cê pede a cerveja, eu quero é prova de que vai ser esse preço” . Dito e feito.

No dia seguinte, fomos a outra praia, não muito longe da que fomos na tarde anterior, chegamos, e eu abri a boca:

- Boa tarde! Tem Skin?
(ela assinala com a cabeça)
- Quanto custa?
- R$3,50.
- Pô! Na praia ali do lado é R$1,80!
- Oxi! To sabenu disso não senhô, na minha barraca sempre foi esse preço e nunca ouvi recramação.
(meu padrasto interrompe.)
- Colé mãe! Ta me achando com cara de turista é? Ó paí! Ta querênu me robá é? Se fizé até R$2,00 eu pago, se não agente levanta.

Ela vira as costas e vai buscar a cerveja. Incrível! Se eu estivesse sozinho ia pagar o preço de uma Bohemia em Brasília, só pelo meu sotaque de turista e minha cara perdido.

Depois disso fui testanto em outros lugares, a cocada que custa de R$0,50 a R$1,00, pra mim era oferecida a R$2,00, o acarajé de R$2,00 pra mim era R$5,00, até a Coca-cola ficou absurdamente cara pelo meu sotaque.

Agora pagar barato tem outro preço, depois da primeira, a segunda vai demorar anos pra chegar, a ponto de você ter de levantar e ir buscar, ou então reze pra não haver nenhum turista na mesma barraca que você, o atendimento dele é preferencial, o seu não faz a minima diferença pra eles.

E lá estava eu, roubado perdido em Salvador…


Tratamento.

4 Agosto, 2008

Imagine-se andando na rua, uma pessoa que você conheceu na festa da semana passada te para e GRITA: “Diga aê, disgraça! Colé de mêrmo?” Ai você assustado com o tratamento maravilhoso e com a mente em pane tentando entender que porra é “colé de mêrmo”, responde com uma pergunta: “Beleza?”, dai sem te responder ele continua gritando: “E ai? Bó pu regui comê água negão?”, você ja arrependido de ter saido de casa e encontrado esse Brau na rua, vira e responde: “Cara, eu não curto reegae não”, ai ele continua berrando: “Ó paí! Tá me comediando é? Cê tava nu regui semana passada agora vem mi dizê que nun curti?! Se Plante vá!, já que cê ta me tirano de otario eu vô ali quexá uma pirigueti”. E enfim você da graças a Deus do ônibus ter chego, sobe correndo e anota tudo no celular pra quando chegar em casa, perguntar para alguem o que esse Mala tava querendo dizer, e só depois, você se da conta que o mal educado da história foi você, e não ele que só tava te convidando pra uma balada como se você ja fosse intimo.

Coisas da Bahia, mãe das girias…


Baladas, festas e frescuras.

2 Agosto, 2008

A anos que a “Festa Americana” (aquela que os convidados levam tudo, inclusive outras convidadas) foi implantada no Brasil, seja com outros nomes, o intuito é o mesmo.

Em 2 meses de Salvador, fui convidado para uma festa na casa de uma conhecida, logo perguntei o que era pra levar, ja que fui condicionado a vida toda a fazer esse tipo de pergunta, tanto em festas de fundo de quintal na área mais pobre da cidade, como nas gigantes mansões da area nobre de Brasília, a resposta foi “Não traga nada! Não se leva nada para festa não, a não ser a barriga e o fígado.” E ao insistir em levar algo, ela se mostrou quase indignada com a situação, levou como afronta, e só ai a ficha caiu, de que em Salvador, quem convida banca tudo na maioria dos casos.

Outra diferença que percebi em conversas com outros aqui, é que em uma balada, se fulano esta afim de fulana, A MAIS DE UM MÊS! e mesmo que não tenha rolado nada entre eles porque o cara é lerdo e ruim de papo, todo o pessoal que anda com fulano, se recusa a ter qualquer aproximação com fulana que possa levar a algum relacionamento (mesmo que passageiro ou meros beijos), até mesmo se a fulana quizer outra pessoa da galera, então caso você seja amigo de um incompetente em matéria de mulher em Salvador, nunca saia com ele, a não ser que você tenha certeza de que não vai catar a mulher que ele ta afim, e que nem ela vai querer você, porque como ja disse aqui, as mulheres em Salvador tem atitude e chegam junto.


Sexta!

1 Agosto, 2008

Sabem como é,
estou na Bahia
hoje foi dia de correria
e agora só me resta aquela cervejinha
E é claro que não vou pra casa de carro:

Eu… o ônibus… a cerveja… a blitz… tchau blitz!!!